O morro dos ventos uivantes

Por Beatriz e Stefany

“You broke my heart, you killed me.”

Kaya Scodelario (mais conhecida como a polêmica Effy Stonem de Skins) estréia a última adaptação do clássico literário “Wuthering heights” (“O morro dos ventos uivantes”, no Brasil”) da autora Emily Brontë. Ainda contando com James Howson e Oliver Milburn no elenco e Andrea Arnold a direção, o filme foi ganhador de diversos prêmios ao redor do mundo, incluindo por Melhor Fotografia no Festival de filmes de Veneza.

“Morro dos Ventos Uivantes” trata-se da intensa relação entre dois jovens de classes e origens diferentes, que não conseguem lidar com a diferença e acabam num sofrimento sem fim ao terem de viver sem o amor um do outro.

Na Inglaterra do século XVIII, o patriarca da rica família Earnshaw adota um garoto pobre e abandonado chamado Heathcliff, o qual só ganha a simpatia da filha mais nova, Catherine: uma garota de personalidade forte, rebelde e mimada, pela qual Heathcliff passa a nutrir um amor profundo e arrebatador. Ao contrário da irmã, o outro filho, Hindley apenas nutre ódio e ciúmes pelo garoto. Com a morte do Senhor Earnshaw, as coisas mudam drasticamente ao ter Hindley no comando da família. Heathcliff passa a ser tratado como mero empregado, e com isso mais e mais conflitos se desenrolam, ao longo de que Heathcliff tenta se encaixar na sociedade e sua relação com os irmãos torna-se pior, resultando num afastamento entre ele e Catherine, e uma sede de vingança da parte de Heathcliff.

Deem uma olhada no enigmático trailer:

Com muitos silêncios e sequencias subjetivas, o melancólico longa não é para aqueles que estão acostumados com a ação constante e “dada de mão beijada” hollywoodiana. Muito pelo contrário. O filme pode até parecer entediante em alguns momentos, com uma narrativa parada e cenas desnecessariamente longas. Se isso torna-se uma qualidade ou um defeito, depende do espectador, mas o caráter intenso e reflexivo do filme é indiscutível.

No filme, a história se desenvolve de maneira orgânica e natural, explorando bem as sensações do espectador e contando a história em olhares e gestos mais do que em falas. Ponto positivo vai para a fotografia, i-m-p-e-c-á-v-e-l, que torna o filme uma experiência única, onde os sentidos se aguçam e o amor é tratado de forma crú e direta, sem muito melodrama. É possível sentir o amor dos protagonistas, tal como a textura da terra, o cheiro da grama e o vento na cara. O filme é palpável.

Outro ponto a se ressaltar é a atuação do elenco, em especial nossa querida Kaya. Momento “mamãe orgulhosa” a parte, uma salva de palmas para a jovem atriz, que soube interpretar muito bem todas as características da complexa Cathy, sem deixar a personagem menos carismática. Se ela deixou a desejar em algum momento em Skins, sua participação em O Morro Dos Ventos Uivantes veio para provar o quão boa essa atriz é e há de ser.

Enfim, fica aí a dica para aqueles que gostam de lindas paisagens, filmes alternativos e uma abordagem mais sutil. Já você que prefere uma história mais direta com diálogos marcados e detesta sair do filme confuso e pensativo, faça-se um favor e mantenha-se longe desse aí! A não ser, é claro, que não consiga se segurar para ver a performance da Kaya.

E, para encerrar, num bônus para aqueles que adoram uma boa música, fica a música “The Enemy”, gravada pela banda “Mumford and Sons”, especialmente para o filme:

 

(Você pode comprar o Blu-Ray desse filme aqui ou baixá-lo + legenda no tópico da Kaya)