“Life goes on, whether it’s with you or without you.”

The Crash, a mais recente minissérie da BBC Three baseada em fatos reais, tem uma proposta bem simples: um grupo de jovens amigos sofre um terrível acidente de carro, e, após o acontecido, os sobreviventes e seus pais precisam lidar com as devastadoras consequências.

Esses jovens são a popular (porém gentil e ótima amiga) Kate Harper (Sacha Parkinson), a tímida e artística Ashley Wainwright (Lily Loveless – !!!!) e o bonito e responsável Tom Harris (Lewis Rainer) e seu doce, meio desajeitado e atleta irmão, Brian (Josh Bolt), além da mal-humorada Rachel Grew (Georgia Henshaw – conhecida pelos fãs de Skins por ter interpretado Lara Lloyd na S4, namorada de JJ) e a seca e sarcástica Leah (Darcy Isa), sua irmã. O elenco todo, inclusive o adulto, é incrivelmente talentoso (destaque para Lily na parte 1, e Lewis na parte 2!), e se não fossem as emoções tão bem retratadas por eles, esses dois episódios definitivamente não teriam impactado a audiência desse jeito. É interessante notar que o grupo de atores não era amigo na vida real antes das filmagens começarem, mas aos poucos eles acabaram se enturmando e aproximando, e isso foi refletido perfeitamente em The Crash. Assistindo, você realmente acredita que aqueles meninos e meninas foram melhores amigos durante todas as suas vidas. A naturalidade com a qual os atores interpretaram os relacionamentos entre seus personagens é impressionante, e também indispensável no processo de envolver a audiência.

A parte 1 balanceia bem os dois lados tão distintos de The Crash, e o produto final é um bonito contraste: a alegria Versus tragédia, as luzes coloridas do baile Versus os azuis escuros e pretos da noite do acidente. Ao ver todos no baile, se divertindo, até mesmo nos esquecemos por uns minutos da tragédia que está por vir (ou já veio, dependendo do ponto de vista), e por isso há um choque tão grande quando retornamos à cena do acidente. Uma coisa que eu gostei muito foi o fato do fim do flashback ter sido tão abrupto, como se essa fosse exatamente a mensagem que o roteirista Terry Cafolla e a diretora Sarah Walker quisessem transmitir: num momento tudo está bem e temos a impressão de que tudo durará para sempre, mas a qualquer segundo tudo pode ser tirado de você, sem nenhum aviso ou piedade. A única coisa que podemos fazer é aproveitar enquanto temos tempo. É algo que parece repetitivo e clichê, mas que, de alguma maneira, funciona graças ao roteiro extraordinariamente bem escrito e bem pesquisado. No começo do episódio alguns diálogos parecem vazios, mas esse é apenas um ponto negativo no meio de vários positivos. Inclusive, no final, existe uma única fala de apenas quatro palavras que foi totalmente inesperada e GENIAL dentro de seu contexto (quem assistiu sabe do que estou falando), e que mais que compensa pelas falas mais fracas de antes! Já Lily, cujas habilidades de atuação só crescem a cada trabalho (reforçando minha opinião de que ela ainda será muito reconhecida) foi capaz de nos fazer sentir cada emoção e sofrer com e POR Ashley. Poucos atores conseguiriam atuar com convicção algumas de suas cenas, mas mais uma vez ela provou o seu talento.

Outro aspecto positivo de The Crash que merece ser citado é o valor com o qual as amizades e relacionamentos entre irmãos foram tratados. Pela primeira vez na vida, eu vi na TV esse tipo de conexão ter a MESMA quantidade de destaque que relacionamentos românticos.

Já a segunda e última parte não tem distrações ou flashbacks. É um episódio pesado do começo ao fim, e ainda mais devastador que o primeiro. As reações dos amigos e familiares dos mortos foram dolorosas de se ver, e demonstraram que realmente foi feita uma pesquisa extensa da parte do roteirista, que visivelmente se esforçou o máximo que pôde para trazer à televisão uma representação digna e honesta do sofrimento de tantas famílias pelo mundo. Dessa vez, como dito antes, o ator de destaque foi Lewis Rainer. Seu trabalho foi um dos mais difíceis, mas o tormento de Tom foi palpável. E, assim como foi na semana passada, fiquei até mal por um bom tempo após assistir, o que mostra que eles alcançaram seu objetivo de nos fazer refletir sobre a vida e os riscos que corremos todos os dias; esse foi o ponto disso tudo: mesmo que você jamais tenha sofrido pessoalmente uma tragédia, inevitavelmente ficará com uma sensação ruim. Pensando “e se fosse eu?” Normalmente, inconscientemente, o ser humano segue a linha do “essas coisas acontecem com todo mundo, menos com a gente”, mas The Crash veio para provar que não é bem assim que as coisas são. Que as coisas sempre acontecem quando menos esperamos, que não temos como prever a vida, e, acima de tudo, que também somos capazes de seguir em frente.

Para terminar? Se eu precisar falar o que achei de The Crash em poucas palavras, essas são elas: Comecei pela Lily, mas continuei pela qualidade. E certamente valeu a pena.

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Outras opiniões sobre The Crash e o trabalho de Lily (podem conter spoilers):

“Ficou claro para mim que The Crash foi incrivelmente bem pesquisado, já que as cenas do acidente em si e as reações dos vários familiares foram os melhores aspectos da série.”

“Do elenco, o destaque para mim foi a ex-atriz de Skins Lily Loveless como Ashley, a fiel membro do grupo que sofreu silenciosamente em sua tragédia pessoal. As expressões faciais de Loveless após a batida foram absolutamente brilhantes, e ajudaram a dar um aspecto realista ao acidente.”

“Uma coisa que The Crash teve a seu favor foi a convincente química entre o elenco jovem, que me fez acreditar que esse grupo tem sido amigo por todas as suas vidas.”

– Matt D., Unreality TV

 “Sem perceber, acabei gostando desses personagens. Realmente gostando. Eles eram divertidos, essencialmente boas pessoas. Por que algum deles precisa morrer? Especialmente Ashley. Ela é muito legal, artística e tem uma vida trágica. Mas tudo estava bem, porque depois do acidente Ashley acordou e saiu do carro. Ela está em choque, mas vai conseguir sobreviver. Lily Loveless, que a interpreta, provavelmente será indicada ao BAFTA, porque aquelas cenas foram extraordinárias. De repente estou grudada na tela, tão ansiosa quanto os pais correndo pelo campo para descobrir o destino de seus filhos.”

- Victoria Prior, Thecustardtv

~Carol

The Crash também se destacou por sua trilha sonora fodida! Então é por isso que o Painho, o Rei dos Magos, manda a tracklist dos episódios e também oferece links para download:

EPISÓDIO 01:

The xx – Angels

Two Door Cinema Club – Something good can work

Beth Jeans Houghton & The Hooves of Destiny – Dodecahedron

Slade – Merry Xmas Everybody

The Naked and Famous – Girls Like You

Angel Haze – New York (Radio Edit)

Paramore – The Only Exception

Cage the Elephant – Right before my eyes

Duran Duran – Hungry Like The Wolf

Jónsi & Alex – Atlas Song

Chris Blackwell – Flotation 2

Robyn – Dancing On My Own

Four Tops – I Can’t Help Myself

Dexys Midnight Runners – Come On Eileen

Al Green – Let’s Stay Together

Beyoncé Knowles – Run The World, Girls

Rihanna – We found Love (remix)

The Album Leaf – Window

Warpaint – Billie Holiday

Broken Social Scene – Lover’s Spit

Terry Devine-King – Life or Death

Bon Iver – Skinny Love

Yeah Yeah Yeahs – Skeletons

LINK DOWNLOAD

EPISÓDIO 02:

Yeah Yeah Yeahs – Skeletons

Window – The Album Leaf

Sigur Rós – Eg Anda

Kodaline – All I Want

The xx – Angels

Jeff Buckley – Lover, You Should’ve Come Over

Regina Spektor – Laughing With

Kindness – HouSe

The Naked and Famous – Girls Like You

Sigur Rós – Ara Batur

Rachael Yamagata – Elephants (Instrumental)

The Maccabees – Grew Up At Midnight

LINK DOWNLOAD