Ou, melhor dizendo, Coca-cola, Pepsi e Dolly.

Poucos desconhecem essa informação, mas Skins é uma série britânica criada por pai e filho (Bryan Elsley e Jamie Brittain), cujas gravações começaram em 2006 e que teve a estreia em janeiro de 2007. Desde então foram seis temporadas, com uma troca de elenco a cada duas. Com o seu cancelamento anunciado em março de 2012, Skins voltará esse ano para alguns episódios de temática especial.

Pois bem, mas por que é que Skins fez tanto sucesso no Reino Unido e depois se espalhou para o mundo todo, chegando até ter uma versão americana criada em 2011? Nas palavras de Hannah Murray, “Não havia nada assim na época que fosse britânico. Que fosse para os adolescentes e realmente autêntico e não algo que não os representasse.”  Mas por que inúmeras outras séries abordaram a temática jovem antes de Skins, mas não obtiveram seu sucesso? Acredito que vários fatores foram vitais, sendo o principal deles é a honestidade com que os assuntos são abordados. Não há lenga-lenga ou um filtro. Doa a quem doer. Como Megan Prescott disse: “Skins é uma versão exagerada, mas é mais como os adolescentes são, enquanto há muitas séries já vistas que tentam interpretar a vida de um adolescente, mas do jeito que um adulto pensa ser a vida de um. E como os pais gostariam de pensar que fosse a vida de um.”

Como Meganzinha bem colocou: Skins é uma versão exagerada. Não espere encontrar na rua um Chris, uma Effy ou uma Mini. É como se cada personagem representasse a soma de várias pessoas, com suas qualidades, defeitos e manias numa só, bem como as situações que os personagens passam possuem a realidade por vezes bem alterada. Então é deprimente é ver pessoas com mentalidade nível Malhação para baixo afirmando que a vida delas é tal qual um episódio de Skins. Ah vá, sério? Sempre me causa espanto ver menininhas e menininhos, ou, melhor dizendo, crianças, batendo o pé que levam uma vida sKiNs. Tudo mentiroso. E tudo burro. Porque assim como quem CRIOU a série já disse várias e várias vezes, os próprios atores já mencionaram que não há como alguém ter uma vida “Skins”. Essas pessoas que dizem que levam essa vida, assim o fazem para suprir alguma carência (receio supor que principalmente a carência sexual).  Tudo na série é exagerado, tanto para o drama, tanto para a comédia. Mas esse exagero não é um demérito da série, já que show na TV precisa de certa dose de irrealidade para se captar a atenção. Por exemplo, tome a cena da tentativa de suicídio da Cassie no 1×05. De boa, a cena é linda: ela no banco, dançando e tomando bebida com as pílulas que havia consumido. Só que é 99,98%  certo que ninguém que fosse se matar faria isso. No entanto, não é difícil de se correlacionar com os motivos ou com as emoções que levariam a Cassie a tentar tal ato. Esse é o ponto chave de Skins, que não foi aproveitado corretamente, por alguns fatores, em Skins US.

Só que antes de falarmos mais de US, vamos deixar uma coisa clara: não é uma cópia de Skins, okay? OKAY!!!!??? Foi supervisionada pelo próprio criador de Skins, que teve a intenção de adaptar os personagens da versão britânica de um modo americano. Tony, Michelle e Chris mantiveram seus nomes nessa versão, mas Anwar virou Abbud; Jal, Daisy ; Sid, Stanley; Cassie, Cadie; Effy, Eura e Maxxie…Tea. Sim, tiraram o dançarino gay e colocaram uma menina lésbica. Além disso, a versão americana lançou sua primeira e única temporada com 10 eps, sendo que a s1 teve 9 eps. Então nem se quisessem dava para copiar.

Quiseram adaptar para a realidade americana, mas o que aconteceu foi uma espécie de pequeno choque cultural: os americanos, falando como um todo, não quiseram aceitar que os jovens menores podem beber, usar drogas e tudo mais, saindo da aba dos adultos. Por isso Skins US foi cancelado, por conta da pressão daqueles que queriam a “proteção do menor”. Talvez por isso nós vejamos série de adolescentes com gente de 30 anos de idade… (oi, Glee).

Julgaram ser necessário ter dois eps iguais para dar o gosto de Skins aos EUA (1×01 US = 1×01 e 1×03 US = 1×04), mas Skins não é uma série em que você pega os diálogos e bota para outras pessoas falarem e acha que vai ser igual. Não, não será. O resultado deixa a desejar.

No resto, histórias baseadas no original (como no 1×06 em vez de irem para a Rússia vão para o Canadá – detalhe que o Abbud, o Anwar deles, tem um ep próprio, coisa que o britânico não teve) ou totalmente novas (como a questão da transmissão de doença sexual – um assunto não foi abordado em Skins, mas muito bem trabalhado em Skins US).

Não precisa odiar Skins US. Embora não chegue perto da versão britânica (ainda mais por conta da escolha do elenco, tirando um ou dois, os atores eram novinhos e fraquinhos), tem os seus momentos e não deixa de ser um bom entretenimento. Não dê uma de cuzão virgem (do tipo que semeia o ódio a uma geração “x”).

Sempre fico com um pé atrás quando pergunto a alguém porque vê Skins e a resposta que obtenho é sexo, drogas e festas. Para mim, isso é uma análise superficial. É ver a série, mas não observá-la. É como ler um livro e não o entender; pode-se ler as palavras, mas apenas o conjunto de sentenças que faz sentido.

Para mim, Skins é vida. Isso não significa que eu queira ser algum personagem da série. Nem um pouco, minha vida pode não ser pica das galáxias, mas como eu gosto de ser eu! Logo, fico revolts pra caralho com nego que diz quero ser a effie kkkkkk ou o toniii eh taum gatooooo genthcy quero dar a bunda pra ele kkkkk ou fulaninho é taaaum meu rsrsrsrs de mais ngm meu meu meu rsrsrsrsrs. Sério, façam amor.

Cabe a você, com seu conhecimento de mundo (o qual, acredito, esteja fortemente correlacionado com a educação), achar em cada personagem, mesmo com suas doses de exagero, algo real e profundo, que seja compatível e identificável com a sua vida (é, pois você vale muito! – já diz a propaganda).

Skins fala sobre adolescentes e seus problemas com seus pais, mas ao mesmo tempo não é sobre isso. Fala sobre gravidez na adolescência, mas não é sobre isso. Fala sobre homossexualidade, sobre drogas, sobre amor, sobre perdas, sobre festas, sobre descorbertas, sobre amizade, sobre traição, sobre conhecimento, sobre medo, sobre angústias, sobre suicídio, sobre aceitação, sobre respeito… [insira outros 492 tópicos abordados]; e também não é uma série sobre isso!

Skins…é vida. E aí que a nossa versão brasileira de série para adolescente falha: Malhação é falsidade, ignorância, hipocrisia, mediocridade mental. É um estrume criado para subestimar a capacidade do jovem, ao mesmo tempo que o aliena de assuntos importantes em sua vida por conta de uma abordagem pífia dos sofríveis enredos. A mensagem, para quem está de fora, é clara: jovem, te trataremos como você é – um bobo da corte.

O mais próximo de Skins que Malhação conseguiu chegar foi ao se basear no lance dos quadros da Skins Secret Party e em trechos da abertura da sexta temporada para formar a sua abertura (e, mesmo assim, continuou horrível – ELES FAZEM SOLETRAÇÃO DO NOME DO PROGRAMA NO MEIO DA ABERTURA, QUE PORRA É ESSA MEU CRISTO????!!!)

Ah…você quer saber porque no começo está escrito “Coca-Cola, Pepsi e Dolly”, certo? É que Skins é como uma Coca-Cola de três litros estupidamente gelada, Skins US é aquela latinha de Pepsi quente, mas que sacia a sua vontade dependendo da situação e Malhação é a garrafinha de Dolly que te envenena até a morte (e ainda por cima você tem de aguentar propagandas mal feitas na televisão).

~Jess