“We bloody love Doctor Who!”

Ao dizer isso, espalhando o a possibilidade de ter Hannah Murray como companion, o site oficial de Skins provavelmente fez com que vários fãs de Skins e Doctor Who, pela primeira vez, chorassem e se escabelassem até constrangirem a si próprios, apenas por cogitar a hipótese de ter esses dois mundos colidindo. E não pára por aí; o sentimento é mútuo: o showrunner de Doctor Who entre os anos de 2005 e 2010, Russell T Davies, já declarou inúmeras vezes em seu livro (The Writer’s Tale, publicado em 2010) o seu amor por Skins. “I had to write and say that Skins is just PHENOMENAL. I bloody love it.”, escreveu o roteirista num entusiasmado e-mail direcionado ao próprio Bryan Elsley, co-criador da série pela qual ele tornou-se obcecado.

O engraçado é que pode até ter passado despercebido, mas os dois fandoms mais tudo-de-bom do mundo já se misturaram uma vez ou outra. Sabe aquela sensação de ‘hmm, eu conheço essa carinha” que já deve ter lhe invadido durante um episódio de DW ou durante aquele filme que você assitiu por causa de certo ator de Skins? Pois então, às vezes o coração sabe das coisas e sensações não são apenas sensações.

Joe Dempsie, nosso amado e eterno (e morto hehe *facada no coração*) Chris, é um exemplo dessas ‘carinhas conhecidas em Doctor Who’. O ator interpretou o soldado Cline no sexto episódio da quarta temporada da série atual de Doctor Who, The Doctor’s Daughter.  Personagem essencial para o enredo (já que foi ele o culpado pelo DNA do Doctor ser usado para criar um ~protótipo~ dele mesmo – no caso, como no título, a filha do Doctor). Joe conta que gostou de fazer as cenas de ação, mesmo sendo um pouco difícil mater o foco. Em uma outra entrevista mais recente, Dempsie afirma que sua pior atuação fora essa, devido ao fato de não ter muita experiência na época.

Lily Loveless, conhecida pelos fãs de Skins como Naomi Campbell, também teve sua participação em Doctor Who – ou, pelo menos, no universo de Doctor Who. Pouco tempo após ter terminado seu trabalho em Skins, Lily interpretou a moradora de rua Ellie Faber na história The Curse of Clyde Langer, na quinta temporada de The Sarah Jane Adventures, terceiro spin-off da série de ficção científica de maior duração do mundo. Em “The Curse”, Clyde é amaldiçoado e, repentinamente, todos se viram contra ele. Abandonado por seus amigos e sua própria mãe, e sozinho pelas ruas de Londres, Clyde encontrou uma amiga em Ellie (Lily). A menina, que ficou sem um lugar para morar quando seu pai faleceu e sua mãe casou-se com outra pessoa, ajudou e guiou Clyde, e aos poucos uma forte conexão se estabeleceu entre os jovens. Um deu esperança ao outro, e juntos eles se esforçaram para sobreviver e finalmente sair das ruas e construir um novo futuro; a forte química entre Lily e Daniel Anthony (Clyde) torna essa aproximação bem crível e tocante, nos fazendo torcer por um final feliz. Lily, infelizmente, não teve muito o que fazer além disso devido ao foco do episódio ter sido Clyde, mas sua interpretação (como sempre!) foi bem convincente, e seu talento somado à alta qualidade do roteiro (que, inclusive, foi o vencedor premiação Writer’s Guild of Great Britain’s Best Children’s TV Script Award de 2012, por sua honesta e madura retratação de uma questão tão importante quanto pessoas desabrigadas) nos deixa genuinamente curiosos para saber mais sobre o passado de Ellie Faber.

Outro ator relevante de Skins que veio a ter uma ponta na série de Sci-Fi foi Daniel Kaluuya, nosso amigo Posh Kenneth. Seu personagem foi Barclay, um rapaz em um ônibus indo encontrar sua namorada, mas que acaba se perdendo com o Doctor. Kaluuya afirma que levou um certo aprendizado para casa depois de contracenar com David Tennant, o aclamado Décimo Doctor. Algo curioso é que Daniel fez teste para o papel de Cline, aquele personagem interpretado por Joe, e Kaluuya ainda brinca sobre o fato de não ter tido a oportunidade que o amigo de elenco teve: beijar Georgia Moffett, a ‘filha do Doctor”.

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Mas, apesar dessas terem sido as participações mais significantes, elas definitivamente não são as únicas. Ainda há mais um monte de atores que apareceram em ambas as séries, e às vezes alguns até podem ter passado despercebidos pelos fãs. Holly Earl é conhecida especialmente por ter interpretado Lily Arwell no especial Natal de 2011 de Doctor Who (The Doctor, The Widow and The Wardrobe), e Poppy Champion no sétimo episódio da sexta temporada de Skins. Já o vencedor do BAFTA e Oscar Peter Capaldi interpretou Mark Jenkins, o pai de Sid, em Skins, e também dois personagens diferentes no universo de Doctor Who: primeiro Lucius Caecilius Iucundus no episódio de 2008 The Fires of Pompeii, e depois John Frobisher, importante personagem na elogiada terceira temporada do spin-off Torchwood. Olivia Colman, a mãe de Naomi – Gina Campbell -, pôde ser vista brevemente no episódio de estreia de Matt Smith em Doctor Who, The Eleventh Hour, como uma das formas do vilão Prisioneiro Zero. Annette Badland ficou na memória de muitos whovians como a Slitheen Blon Fel-Fotch (ou Margaret Blaine) dos bizarros episódios Aliens of London/World War Three e Boom Town, de 2005, e em 2012 apareceu no final episódio da sexta temporada de Skins, como uma trabalhadora do orfanato em que Franky costumava morar. A atriz Juliet Cowan também esteve em ambos os universos, como mãe de dois personagens distintos: Chrissie Jackson, mãe de Maria, em The Sarah Jane Adventures, e Celia Jones, mãe de JJ, em Skins.

E como não só de episódios de Doctor Who nosso especial vive, aí vão uns exemplos de filmes, seriados e mil e uma coisas que contam com atores de ambas séries:

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Em United (2011), Jack O’Connell (Cook) e David Tennant revivem os bastidores do lendário time do Manchester United do final dos anos 50, com enfoque na tragédia de Munique. Já em Womb (2010) – veja a resenha aqui – , Hannah Murray (Cassie) é a namorada de Matt Smith, um homem que foi clonado para ser a cópia do falecido namorado de sua mãe, Eva Green. True Love foi uma minissérie de 2012 com 5 capítulos, os quais tivemos prazer de legendar com a L.O.T.Subs, que narra diferentes histórias de relacionamentos e suas consequências. No elenco há David Tennant novamente e também Kaya Scodelario (Effy) e Billie Pipper (Rose) como um casal de aluna e professora.

Freya Mavor (Mini) está prestes a entrar nessa listatambém: a atriz está envolvida em dois projetos para este ano, e em cada um, atuará ao lado de uma companion do 11º Doctor. O primeiro será um drama da BBC chamado The White Queen, no qual Freya tem Arthur Darvill (Rory) como companheiro de elenco; e o outro será o filme Not Another Happy Ending, com Karen Gillan (Amy Pond).

Vale também lembrar que, ainda nesta temporada de Doctor Who (cuja segunda metade começa a ir ao ar no dia 30 deste mês), Will Merrick (Alo) fará uma participação no episódio The Last Cyberman, interpretando um personagem conhecido como Brains. O episódio tem como objetivo reintroduzir e reformular à série os clássicos vilões Cybermen, e seu roteiro foi feito pelo muito famoso e premiado escritor Neil Gaiman, que teve a missão de tornar os Cybermen assustadores novamente. Sabendo das habilidades de Gaiman, do sucesso de seu primeiro episódio (The Doctor’s Wife, de 2011), e levando em consideração o fato de DW ser uma série tão icônica e um dos maiores símbolos da cultura popular inglesa (que, portanto, chama bastante a atenção do público e da crítica pelo mundo inteiro), essa é a oportunidade perfeita para a carreira de Will dar um salto!

Resumindo:

Vocês fãs de Skins que ainda não assitem Doctor Who e/ou não se convenceram com a possibilidade de rever todos esses atores na telinha mais uma vez, aí vão uns motivos pelos quais vocês deveriam começar a ver: 1. A série tem conteúdo. Mesmo que você nao seja lá um fanático por ficção científica, não há como não aprender algo com DW. Não há como você não se identificar com os personagens e suas tramas em algum momento. É como com Skins, você acaba se apegando a eles, mesmo não percebendo; 2. A série não tem medo de correr riscos, de causar polêmica; 3. Além de roteiros geniais e renomada produção, Doctor Who ainda conta com um ótimo elenco, que está sempre mudando, assim como em Skins (mas ao invés de gerações, ganhamos novas regenerações do Doctor e outras companions), o que impede de tornar o show desgastado. Enfim, para você que está chateadíssimo com o fim de Skins e procura algo diferente mas de boa qualidade: este Sci-Fi lhe satisfará, pois conta com nada mais nada menos do que 50 (!) anos de estrada. Ou seja, há episódios de sobra para ver. E o lado bom é que não é preciso assistir desde o começo, já que as tramas das temporadas não são ligadas umas às outras. Inicie pelas últimas 7 (as atuais) e não se arrependerá!

E para os fãs de Doctor Who: jamais se deixem enganar pela imagem superficial pela qual Skins é popularmente conhecida. Skins é uma série diferente de tudo que você já viu, garantimos. Ela mostra a adolescência de forma crua, do jeitinho que ela é: relacionamentos complicados, amizades, inseguranças, sexo, e a busca por sua própria identidade. Claro que há exageros, mas, independemente de termos uma vida agitada regada a festas (o que é impossível, btw) ou não, o que importa em Skins é que eles fazem você sentir. Sentir a dor dos personagens e suas alegrias. Te permite conectar-se com eles (quanto quer apostar que você acabará se vendo em pelo menos um personagem?!), crescer junto a eles. Skins é vida.

 Doctor Who volta dia 30 de março e a sétima temporada de Skins começará em julho de 2013.

Fuck it, allons-y!

~Carol e Stef