O personagem com o qual eu mais divido semelhanças é o Rich. Veja bem, isso não quer dizer que eu seja o Rich (até porque eu gosto de NÃO ter um n_n pênis n_n), mas sim que dentro das características, qualidades e defeitos de todos os personagens, é com o Rich que compartilho a maior quantidade deles. Mas eu amo ser eu. Mesmo. Pra caralho.

A principal característica do Rich, logo de cara, é que é arrogante. Mas ele não é mau, só pensa que a maioria das pessoas não é merecedora de sua atenção ou de seu apreço. Ele é um “fangirl” ao extremo: incorpora totalmente seu gosto musical à sua vida e considera, assim, que deve ou afastar ou ignorar qualquer representação de forma humana que não curta o mesmo que ele.

Não à toa, no começo, ele não tem muitos amigos. Não que isso importe para o Rich, já que o conceito de múltiplas amizades, para ele, é tão mainstream e de gente tão zoada que ele prefere apenas ter seu fiel amigo de desde sempre, Alo. Pequena digressão: a amizade do Alo&Rich foi ótima durante a quinta temporada, mas na começo da sexta, por vezes, o Alo foi cuzão e preferiu trepar com a Mini a consolar o amigo.

Rich vive no seu próprio mundo e assim que ele pensa ser feliz. Pegue a cena de abertura do 5×02, por exemplo, uma cena lymda de morrer. Ele está numa festa. Não porque quer ser social, mas porque seu amigo insistiu tanto que era melhor satisfazê-lo, nem que seja parcialmente, a ouvir suas lamentações eternas.

Então ele vai à festa e em vez de ouvir as músicas da galera e se entrosar, ele fica com seu fone de ouvido, absorvido em seu mundo. Dá a entender que você pode capturar o corpo do Rich, mas a sua alma, não.

Os dois amigos conheceram as meninas nas férias de verão, antes das aulas em Roundview começarem [citado no livro Summer Holiday]. Mas eles não se deram bem ao ponto de virarem amigos, vide comentários que o Rich faz sobre a Mini quando da chegada da Franky. Assim, portanto, é com certa estranheza que Rich aceita a ajuda de Grace, muito por conta da influência da Franky.

Alo encontrou a garota perfeita, em tese, para ele, só que o pobre metaleiro não sabe como agir. Daí entra a doce Grace, para ajudá-lo. Mas como ela poderia realizar tal tarefa na medida de ser tão diferente? Rich acredita que apenas olhando para o exterior já se dá para saber o que a pessoa é e o que a pessoa pode ser. Desse modo, insiste em conquistar a “Angel of Death” e bota nenhuma fé que a Grace pode ajudá-lo.

Por insistência, no entanto, ele dá uma chance à Grace e ela se transforma. Grace sempre está pronta para atuar, para podar seus sentimentos e para adequá-los à situação necessária, deixando-se na maoria das vezes em segundo plano. Então Rich leva o primeiro golpe: o exterior pode mudar, é outra coisa que importa.

Mas até ele ter interesse pelo interior são outros quinhentos e acredito que o que aciona o gatilho nele é quando a sua obsessão lhe acarreta impedimentos físicos e ele perde a audição, mesmo que momentaneamente.

A fixação de Rich é ouvir música de metal. A partir do momento em que não pode ouvi-la, é como se ele não fosse mais ele e, assim, ele está aberto para o mundo. Está sem defesa, sem proteção. Então decide procurar a Grace, por conta de sua vulnerabilidade.

E daí eu dou meu perdão para o Jamie Brittain. Mas que picas você está falando…Jamie Brittain, co-criador de Skins – junto a seu pai, Bryan Elsley -, escritor de vários episódios, incluindo o famoso 4×07 “Effy”, em que ele decide matar o Freddie.

Eu dou minha benção a ti, Jamie. Te perdoo de todos os pecados por você ter escrito o 5×02 e, principalmente, foi ter desenvolvido uma cena tão bela – agradecimentos inimagináveis também ao diretor – como foi a cena do Rich mudo observando a Grace no ballet.

E esse novo Rich chora, ele se emociona, ele tem sentimentos para algo fora de seu mundo. A cena é tão ashjahjashjkahskjahskjahsjhakhsk que, porra, é foda!

Vemos, depois, o Rich, mesmo atordoado, tanto fisicamente, quanto psicologicamente – mais psicologicamente -, elogiar a Grace e se frustrar por não ter mais ingresso para o show de uma de suas bandas favoritas, na medida em que o rasgou em um ímpeto. Grace Abra-Kadabra, então, surge com dois ingressos.

E a garota que ele julgou como boba, infantil, pedante e, assim, inútil para ele, havia se importado em satisfazer seu grande desejo, muito embora há pouco tempo o conheça e muito embora, principalmente, a forma com que ele a tratou (no loja do Bobby ou ao dizer “a verdade” sobre ela com relação à Mini e à Liv, no bar, por exemplo).

Ela se importou. E não se mostrou uma garota vulnerável e frágil: ela tacou o puteiro no show! Vestida de bailarina! Quantas pessoas tem a coragem de se divertir e entreter os outros vestida de bailarina num show de metal?

E no show do Napalm Death nós temos o contraste belamente executado: em partes ouvimos o som ambiente, pesado, carregado, tenso, que representa o Rich e em outras, Vivandi puro, música clássica, calma e aconchegante, tal qual a Grace. E os opostos estão em harmonia.

Então eles vão ficar juntos logo após o show? Sim, se Skins fosse uma série clichê, mas como não é, óbvio que não. A beleza do show aliada à surdez do Rich o faz abrir os olhos, não para garotas, mas sim para tudo mesmo, inclusive sua família. Aliás, família é um tema sempre muito complexo nessa série. Os pais por muitas vezes são mostrados como incompetentes, retardados ou ineficazes. De fato, eles são sim, só que acredito que essas características são acentuadas por mostrarem a visão que os filhos tem de seus pais.

Prosseguindo, ele trata seu pai melhor e até mesmo comprar flores para a sua mãe (e, não vamos mentir: você também achou que eram para a Grace).

Após o fim do segundo episódio, o seu, entendo que o Richard não somente sentiu o quão bom foi se abrir, nem que tivesse sido um pouco, como também sentiu o impulso de se abrir mais. E, então, ele precisava da Grace como sua muleta, seu amparo e seu apoio. Assim começaram um relacionamento tênue a partir do fim do 5×03.

Entre o 5×04 e o 5×06, vemos o relacionamento Hardlet (e para aqueles que não estão familiarizados com o termo, é a junção de Rich HARDbeck e Grace ViolLET) se desenvolver docemente até culminar na perda da virgindade de ambos (mas que coisa guti-gutizinha own), como fica implícito no fim do 5×06. Mas Hardlet não teve um desenvolvimento “comum” para os padrões da série e, por que não dizer, da vida real.

Porque o que mais se vê hoje em dia é uma sexualização precoce do indíviduo. Não digo com isso que “oooooh, sexo é errado!!!!” e outras balelas moralistas, apenas que é nítido que muita gente enxerga o sexo como a solução de todos os seus problemas. Como se a perda da virgindade te transformasse, num passe de mágica, em alguém novo, perfeito e, principalmente, feliz – felicidade esta que o indívduo pensa não a ter.

Em Skins tivemos bons exemplos disso, vejamos:

-Tony e Michelle tentam a todo custo eliminar a “condição maldita” do Sid, que também só pensa na perda da virgindade.
-JJ é constantemente zoado por ser virgem e Mini constrói a sua popularidade através de histórias de suas “experiências cabulosas” (que no fim só eram mentiras).
-Anwar, Pandora e Alo expressam constantemente seu descontentamento e angústia por serem virgens.

Mas o que mudou na vida deles depois do sexo? Praticamente nada. Sabe por quê? Porque o que muda as pessoas é o amadurecimento, são as experiências profundas (hehe, sem trocadilhos) e marcantes, aliadas com o tempo, que fazem com a pessoa escolha ser julgada agora por “x” e não mais “y”.

Rich e Grace gostavam de sexo e escolheram fazer amor um bom tempo depois de começarem o relacionamento, após se conhecerem, provando valorarem outros fatores mais substanciais antes do sexo.

O que acho interessante em Hardlet é que os principais avanços e mudanças foram desenvolvidos pela mesma pessoa. Explico: Jamie Brittain também escreveu o 5×07 “Grace”. Nesse episódio, Grace tem de conviver e tomar decisões sobre o que realmente importa em sua vida. Rich se mostra presente, sempre, ajudando-a com a peça e até enfrentando seu pai.

Ele aparece na janela da menina que ele ama (ama!) para vê-la e dizer o que lhe aflige seu coração. Ele recita Shakespeare…o mesmo trecho que o Tony recita para a Michelle no 1×07. Só que enquanto o Stonem era um filho da puta, Rich realmente quer que as palavras signifiquem algo.

Acredito que por conta de toda opressão que Grace sofre e por conta de toda a influência e explosão de sentimos que ela causa nele, ele a tenha pedido em casamento. Para fugir: dos pais, da escola, de tudo, basicamente.

Por mais que o casamento tenha furado, a meu ver isso foi bem melhor do que de fato casar. Ao repensarem, eles, de certa forma, acordaram e tanto verão como encararão o relacionamento entre eles de uma forma mais madura e diferente, ao passo que se casar seria começar a vida adulta antes do necessário.

Chega a sexta temporada e aonde seu estilo metal foi parar? De boa, não eram apenas roupas e sim uma convicção. Rich é um garoto (por que não dizer homem?) de convicções: sustentava-se nelas, embasando seus atos e pensamentos, mas sem deixar de ceder quando necessário, depois de uma reflexão. Para mim, deixarem de retratar o Rich como “metal head”, tal qual na s5, foi um dos muitos erros grotescos que a temporada cometeu.

De todo forma, começamos com o Rich da mesma forma que ele terminou a s5, tirando o ‘detalhe’ da vestimenta: extremamente apaixonado pela Grace. E, por óbvio, o sentimento é recíproco.

Sabe, o que mais me encanta sobre Hardlet é o fato de o amor reinar em ambos, mas isso não implicar em perda de personalidade, pelo contrário: são ainda duas pessoas, que se respeitam, que não impõem, nem que seja implicitamente, e, por conta disso, faziam seus planos para uma vida toda. É diferente de outros casais. Como o Alex disse no BTS do 6×02, é a busca do amor mais puro.

A cena em que a Grace canta para ele no 6×01 é simplesmente espetacular. Ele diz que ela é a mulher mais linda que ele já viu. Sim, para a pessoa que representava tudo que ele mais detestava no mundo. E que mudou a sua vida completamente. O amor de sua vida.

Da observância da s5, pode-se dizer que a Grace tem a função de unificadora final do grupo, após um trabalho da saudosa Franky. Com a morte dela na s6, Rich é quem, involuntariamente, assume esse papel.

Veja, eu realmente não gostei da morte da Grace, simplesmente porque não precisava ter uma outra morte. E pauto-se a sexta temporada com base na morte da menina, como se não desse para criar uma história tocante, real e profunda sem a morte (olá, quinta temporada, saudades de você).

Lembro-me de quando estava vendo “ao vivo” o 6×02. Estava assistindo com meu namorado e desde o primeiro segundo ele disse que o Rich estava projetando a Grace porque ela morrera. Você percebe que algo está de errado com o Rich logo no começo. É nítido que ele sente a falta da Grace demais, e que essa falta gera uma perturbação psicológica nele durante o episódio, até a última cena (por sinal, uma das melhores de Skins, eu já choro só de pensar nela).

Rich precisava de ajuda. Primeira opção: Alo. Mas de boa intenção, o inferno está cheio: Alo tenta ajudar o Rich naquelas. Digo, ele faz o mínimo, com base no que sempre fez para tentar animá-lo. Tirada essa sensação de “culpa”, ele volta para trepar com a Mini. Malo pode ter ficado um pouco fofo no fim, mas nesse episódio eles são dois cuzões. Sensibilidade zero.

Liv, ao contrário, está sensibilizada, preocupada e aflita. Vai atrás do Rich para dividir seu sofrimento e cobrar uma postura do Rich, daquele Rich Metal Head Fuck You I Won’t Do What You Tell Me. A interação deles durante a temporada foi outro ponto positivo. De longe, foram os mais afetados pela tragédia, porém tiveram reações opostas até a aceitação final.

Isn’t everything beautiful this morning?  Projeção!Grace visou e conseguiu passar uma mensagem ao Rich: respire, aceite, não surte e não deixe a tragédia tomar conta de você. Rich se ausentou de dois episódios, precisou de um tempo sozinho, afinal, o amor da vida dele, com quem ele fazia todo tipo de plano, com quem quase se casou, morreu.

Quando ele volta, alguns poderiam esperar que ele se revoltasse, que desse piti a toda hora, mas não (ele não é a Franky). Ele está bem. Estranhamente bem num primeiro olhar.

Rich é um homem de convicções e princípios, como disse acima. Grace não gostaria de uma postura dele diferente de tentar consertar qualquer tipo de problema que tivesse entre os amigos. Grace amava o Rich e amava também seus amigos. Então aquela mensagem da Projeção!Grace é que implicou em sua postura de assumir também o papel que a Grace tinha no grupo: de conciliadora. Tomemos por exemplo a cena em que ele convence o Alo a ligar para a Mini. Você pode ver na expressão do Rich o misto de tristeza, impotência com amor e esperança quando ele se pergunta sobre como seria se ele tivesse tido filhos com a Grace. Oh God, it does hurt. It hurts so much.

Apenas ressalto que eu gostaria de ter visto mais do Rich durante a temporada. Não apenas o Rich com os outros, mas momentos só dele. Num dos poucos sozinho, percebemos que as visitas constantes na biblioteca (indicadas pelas redes sociais de Skins) deram resultado e ele foi aprovado para estudar o que provavelmente a Grace gostaria de ter estudado na universidade – e numa boa. Ela pode ter partido apenas fisicamente, mas mentalmente ela sempre estará com ele. Não num sentido de perseguição/aparições, mas sim de uma outra dose de consciência nele, como esperança.

Hardlet foi um casal em que os indivíduos se adicionavam um ao outro, sem deixar a independência mútua de lado.

No fim, a Grace foi a verdadeira esperança da gen 3 e Hardlet é o meu OTP de Skins para sempre.