Neste Remembering Skins #5 nós vamos relembrar três cenas marcantes de casais de Skins. Pode pegar o lenço, miguxo.

#1 – 2×02
tony michelle

Com a exceção de Cassie/Sid, os principais casais da primeira geração de Skins padecem de um problema: uma das partes é super valorizada enquanto a outra é pouco quista. Assim, por exemplo, a namorada do Chris é “aquela negra que toca alguma coisa lá e que tem uma irmã gêmea na terceira geração” e a namorada do Tony é “aquela vadia, puta, que dá para todo mundo, mas não que nem a Effy, então não gosto dela.” Se de alguma forma você pensa assim, permita-me te esbofetear à la Tyrion.

Acredito que uma pessoa passe a compreender mais sobre Skins quando analisa quem é o roteirista por trás de cada episódio, passando a fazer possíveis conexões. Por isso escolhi essa cena e a próxima de Naomily: foram escritas pelo Jack Thorne e possuem uma emocionante semelhança.

Não curto Tochelle na primeira temporada, basicamente porque o Tony na s1 é um cuzão filho d’uma puta. Ela sacaneia tanto a pessoa que ele supostamente deveria amar que eu chego a ter pena da Michelle. Mas dois golpes, no entanto, mudam a jogada: o que o Josh fez o Tony passar junto com a Effy e, depois, o acidente. Quem é o Tony agora? Poderia voltar algum dia a ser o que outrora fora?

Quando o Tony estava em coma, Michelle ansiava por sua volta, mas, ao mesmo tempo, tinha muito medo dele morrer. Ele acordou e ficou com sequelas, precisando de cuidados especiais. Michelle, de certa forma, se sentiu culpada por conta do acidente, isolando-se dele. Essa cena do episódio 2×02 é o primeiro contato que fazem para tentar definir os rumos de suas vidas.

Sketch fez o “favor” de intoxicar a Michelle, retirando-a da peça e ainda por cima provocando vômitos. Tony sente a falta dela, no entanto, e passa a procurá-la, até que a encontra no banheiro. E a primeira preocupação que a Nips tem é de que o Tony não a veja, pois ela vomitou e está toda zoada. Ela se preocupa em decepcioná-lo, mesmo o Tony estando longe de suas condições ideais. Isto é amor, galerinha. 

Como dito, é a primeira aproximação entre o Tony e a Michelle com o intuito de tentarem voltar ao que eram antes, então ele diz “Eu te falei que te amava, não te falei? No dia em que isso aconteceu. O acidente.”, para em seguida a Michelle falar “Você se lembra disse ou é um chute?”, no qual ele responde “Isso importa? Não vai mudar nada.” É verdade, ficar discutindo o passado não os levará a lugar algum, ainda mais que no presente eles estão em posições e situações tão díspares (o posicionamento deles – um de costa para o outro, com um divisão entre eles – pode servir como analogia para este momento; estão opostos, com uma barreira, as sequelas do Tony, dificultando qualquer tipo de aproximação).

O que resta para eles é ficarem sem dizer nada (“Vamos ficar sem dizer nada por um tempinho.”) para que o silêncio, apoiado com a certeza de que a pessoa está fisicamente próxima, seja o pontapé inicial da nova relação desejada.

Isso é do caralho.  Meus olhos até marejam.

#2 – 3×06

dying

 Duas são as cenas de Naomily que são constantemente lembradas como discursos no final de episódios. Esta, do 3×06, e a do 4×08. Nem precisa me ameaçar para que eu escolha qual é a melhor. Sem dúvidas é a do 3×06. O discurso do 4×08 é tosco e deturpa toda a trajetória do casal.

Por que Naomily teve tanto sucesso na terceira temporada? Porque mostraram uma boa história de amor que curiosamente era entre duas meninas, mas poderia também ser entre um menino e uma menina  (óbvio que sem a Emily, dado que ela é totalmente gay, mas talvez com a Naomi, já que ele é apenas a Naomi na dela). E essa cena desse Remembering finca toda essa ideologia. Naomi não questiona o propósito de se envolver com garotas e sim com alguém. É uma premissa muito maior que leva em consideração a pessoa como um todo e não fatiadamente falando-se (ao se pensar apenas na questão de ser gay ou não – honestamente isso é só uma faceta).  Se mais pessoas pensassem dessa forma, não teríamos “Felicianos” por aí. Já na quarta temporada, a relação Naomi e Emily tomou um rumo mais comercial, com as histórias praticamente girando apenas no relacionamento entre elas, chegando ao ponto de pessoas falarem que Naomily é uma pessoa só (não, sério, nem vou comentar nada. Só repita várias vezes em bom som para ver o nível do absurdo: naomily é uma pessoa só) e tendo como desfecho o discurso-cabelo-de-miojo em que a Naomi comenta sobre como é gostar de uma garota. *sigh*

“Eu quero alguém, preciso de alguém, você está certa. E quando eu estou com você, me sinto uma pessoa melhor, me sinto mais feliz, menos sozinha, menos solitária.”

Naomi está, finalmente, começando a ceder, a deixar com que a Emily entre, de fato, em sua vida. Emily percebe isso e assim que a Naomi termina a fala acima, a gêmea dá a mão para ela através da portinha do gatinho, uma analogia com o fato das duas desejarem ter um relacionamento, mas ainda haver uma barreira que o impeça. “Mas não é simples assim, não é? Estar com alguém” Então elas ficam sem dizer nada por um tempinho, tal qual Michelle/Tony no 2×02. Se a Michelle na cena acima tinha vômito no cabelo, Emily estava com a cara inchada de tanto chorar. Ambas estavam tristes por conta de quem amavam. Tony e Naomi procuraram Michelle e Emily não por um motivo específico, mas apenas para ficarem próximos a elas, seus amores ainda não publicamente admitidos, pois não há nada mais reconfortante e motivador do que a certeza de que vale a pena se superar e exorcizar seus demônios por alguém que honestamente te ama, apesar de tudo.

#3 – 6×10

piscina

Eu detesto essa cena com todas as minhas forças. Mas o Afonso Mota pediu-a para o Remembering. Por isso esse post atrasou tanto: REALMENTE ME DÓI FALAR DESSA CENA. É quase uma tortura.

Eu amo a Grace. Amo o Rich. Amo Hardlet. Por que, só me digam isso, por que precisavam matar uma personagem? Por que matar alguém no começo da temporada? Por que matar alguém no começo da temporada para depois fazer com que apareça na forma de projeção por diversas vezes? ENFIA NO CU ESSA PROJEÇÃO, CARALHO, E ME DÁ A MINHA PERSONAGEM FAVORITA DE VOLTA.

Cof cof…voltando ao normal.

Por que a série se chama Skins? Não, não tem a ver com a seda que enrola maconha. Ou os personagens fumam o tempo todo em todos os eps? Chama-se Skins por se passar substancialmente na pele de um personagem. O que aconteceu nessa cena não é 100% novo, já havia sido visto logo na primeira temporada, no 1×02 com a Cassie, depois tivemos o 2×06 (Tony) e com mais força no 6×08 (Liv): o psicológico exercendo influência na realidade do personagem. Como até o 6×10 essa influência só havia sido observada em episódios singulares (digo, “Tony” e não “Everyone”) , eu não só acreditava que não teria de encontrar projeção!grace novamente (como em alguns episódios da s6), como também que a própria Grace estaria viva. Meu misto de vontade e sonho foi destruído com essa cena, que representa o adeus do Rich para a Grace. Em outra oportunidade, escrevi sobre como o Rich meio que assumiu o papel da Grace como unificador do grupo na sexta temporada, mas não foi apenas isso que aconteceu após a morte dela: ele próprio custou a deixar a Grace partir.

Rich entrou como um garoto machucado nessa piscina e saiu dela como um homem feito, pronto para deixar o passado onde ele pertence e fazer do seu futuro uma história sobre a qual a Grace se honraria.

~Jess