#1 – 1×09

effymichelle1

 Uma coisa que eu gosto nessa cena é que, até onde sabemos, Michelle foi a primeira pessoa a perguntar a Effy o porquê dela não falar. Para muitos apenas uma menina superficial que só pensava em Tony, aqui ela demonstrou que, apesar de seus defeitos, se importa. O é muito relevante porque normalmente ela é vista como a “bitch” da Gen 1, assim como Katie foi na Gen 2 e Mini na Gen 3. Mas a coisa é que, por mais que eu ame as 3 personagens, preciso dizer que nunca considerei Michelle exatamente como uma “bitch”. Sim, nem sempre ela era a melhor amiga do mundo para Jal, e ela podia deixar seu namoro com Tony subir a cabeça e se comportar de maneira egoísta, mas, se olharmos bem, Michelle nunca foi uma bully, ou uma “queen bee”, ou nada que a desse status de mais poderosa que o resto de seus colegas. Na verdade, Michelle é uma das personagens mais comuns de Skins. Nem todos conhecem um Tony ou um Cook, e ninguém conhece uma Effy ou uma Cassie. Mas todo mundo conheceu pelo menos uma Michelle em sua vida, e isso não é necessariamente uma coisa ruim: ela é uma garota com a qual muitas outras podem se identificar, e esse é o ponto de Skins, afinal.

Já outra coisa que chama minha atenção aqui é o modo como, em retorno, Effy se importa com Michelle. Ela não profere uma palavra, mas percebe o sofrimento da outra e até se vira contra seu próprio irmão, o que diz muito sobre Effy como pessoa; aliás, é engraçado notar que, ao assistir a Skins pela primeira vez, eu não aguentava Effy justamente por ter caído na fachada “Ooohh, I’m so fit and mysterious!” (nas palavras de JJ) que ela tanto tentava passar entre a S1 e S3… mas ao rever tudo, após ter terminado a S4, eu percebi o quanto sempre foi ridiculamente óbvio o quanto o “Why bother? Caring about people” nunca passou de uma grande mentira. Essa pequena cena e a reação de Effy com Tony no carro depois (ela repetindo “wanker” e a resposta de Tony “I liked it better when you didn’t talk” sempre vai ser uma das minhas cenas favoritas!) são algumas das primeiras – e bem sutis – provas da humanidade de Effy.

#2 – 3×07

emilyjj

  JJ/Emily, aka MEU RELACIONAMENTO FAVORITO DESSA PORRA DEPOIS DE NAOMILY.

Ok. Sério, agora.

Durante os primeiros seis episódios da S3, apesar de ter sido indicado que ele possui alguma condição psicológica, JJ não foi tratado como muita seriedade; ele era o menino inocente, meio desajeitado, que gostava de truques de mágica, e aparentemente era muito feliz e não tinha tantos problemas. O sétimo episódio foi a vez dele finalmente ganhar destaque.

Às vezes, são necessários episódios que cobrem um certo tempo – como vários dias, ou até semanas – na vida do personagem para que entendamos completamente sua situação, mas no caso de JJ, o ideal foi esse: um episódio que simplesmente o acompanhou por um dia qualquer. Tivemos a oportunidade de seguir JJ em sua rotina diária, a mesma que ele tem desde antes da série começar, provavelmente, o que foi natural e perfeito para nos introduzir ao mundo de JJ.

E qual é o mundo de JJ? Ele tem dois supostos melhores amigos, Cook e Freddie, e por mais que eu acredite que eles genuinamente o amem (um amor estranho – e por estranho, eu quero dizer que eles tratavam JJ como um animalzinho de estimação e ignoravam os sentimentos dele –, mas ainda assim é inegável que existe um amor), eles não o entendem completamente. JJ era solitário.

Daí vem Emily. Da última vez que a vimos, como ela estava? Com o coração partido após os eventos do episódio anterior, ainda sem amigos próximos, e ainda sendo capacho de Katie. Mesmo após todos os seus esforços no lago e a conversa entre ela e Naomi na porta de sua casa, ela basicamente voltou à estaca zero. Mais sozinha que nunca, agora Emily busca ajuda em sessões de terapia.

JJ e Emily se esbarram na clínica, e repente eles percebem que não estão sozinhos em suas lutas, afinal de contas. Inevitavelmente, uma conexão foi estabelecida entre os dois instantaneamente, e isso é visível na cena em que eles andam pelo corredor, comparando remédios e compartilhando um pouco sobre suas vidas. Se abrindo, pouco a pouco. E contentes por ter alguém com quem falar.

Eles vão ao parque, onde JJ diz uma das minhas falas favoritas de Skins: “I’d give anything to be normal for a whole day.” Isso me fez pensar no que significa “ser normal”. Para JJ, que cresceu nas sombras de Cook e Freddie, esse conceito foi diretamente influenciado pelos dois amigos, e ele acabou fixado na ideia de ser como eles; o que é totalmente errado, óbvio. E Emily foi a única que viu isso.

“All those things you want. You don’t ask for them. Why don’t you just ask?”

JJ é tão importante quanto Freddie e Cook, mas ele – e todos ao seu redor – falhavam em enxergar isso. Emily enxergou. E mostrou a ele que ele tem valor. Aliás, o que eu acho mais foda sobre isso é que até então só conhecíamos a Emily apaixonada por Naomi, mas isso aí foi a prova de que Emily é realmente uma pessoa especial; que ela tem uma personalidade incrível, e que ela é capaz de ver a beleza em todos, e não apenas em Naomi. Emily tem o poder de fazer as pessoas perceberem sua importância (“I think you can do anything” no 306!).

Ela mostrou a JJ que ele tem tantos direitos quanto Cook, Freddie ou qualquer outro, e que seu autismo não o define, nem o impossibilita de conseguir o que quer.

E por que JJ foi a primeira pessoa para quem Emily contou que é gay? Num período tão conturbado e confuso de sua vida, sem Naomi e o apoio de sua família, Emily precisava de alguém doce, gentil. Que não a pressionasse. Que a compreendesse e não a julgasse. Esse foi o papel que JJ desempenhou em sua vida, e apesar da amizade ter sido esquecida pelos roteiristas (risos), sempre pensei e continuarei a insistir que o amparo de JJ foi o que deu a Emily forças para continuar.

Emily Fitch foi a primeira pessoa a tratar Jonah Jones como um igual, e com respeito, em vez de menospreza-lo. E Jonah Jones esteve lá por Emily Fitch quando ninguém mais esteve.

#3 – 5×01

franky

O final perfeito para um episódio perfeito. Já vi muita gente dizendo que a terceira geração “começa chata, mas depois fica legal”, e alegando que a (estranha, admito) praticamente falta

de sexo e drogas nos dois primeiros episódios da S5 (“Franky” e “Rich”) equivalem à má qualidade.

Mas querem saber? Para mim, esse foi o melhor começo de geração de toda a história de Skins. Nas duas primeiras gerações, especialmente a primeira, Skins construiu sua fama e se sustentou nos exageros que tanto chamam a atenção de jovens. Na verdade, às vezes, assistindo, eu tinha a sensação de que os roteiristas escreveram certos episódios com um sorriso travesso no rosto, como se estivessem dizendo triunfalmente: “Olhem que chocante! Ooohh, quero ver as reações dos pais à essa cena! Isso vai ser polêmico. Olhem que jovens selvagens! Olhem, olhem, olhem!!1!”

Mas depois de quatro temporadas e sucesso já estabelecido, na S5 Skins esteve livre para um começo fresco e surpreendente, certo? Certo. Por mais que as aventuras de Sid buscando maconha com Mad Twatter e Cook preenchendo a listinha de Effy tenham sido divertidas de se assistir e ótimas para introduzir os personagens, o primeiro episódio da Gen 3 foi diferente de tudo que já havíamos visto antes.

A história de Franky foi extremamente bem escrita, e a personagem foi a melhor para nos introduzir à terceira geração; quando ela abriu os olhos, vestiu aquelas roupas e saiu andando pela rua, checando o mapa desenhado em suas mãos para se guiar na cidade nova, quem não se apaixonou e ficou intrigado por ela imediatamente?!

E depois de nos apegarmos e sofrermos com Franky nesses 45 minutos em que vimos o mundo pelos olhos dela, chega a hora da recompensa: um final feliz. Espera, isso é mesmo Skins? Firmando um novo e inusitado padrão (que vai se repetir em quantidade recorde de episódios da S5, incluindo o 507 e 508 – MELHOR FINALE –) para a série conhecida por partir corações dos fãs, temos um dos primeiros finais felizes em milênios.

O quarteto Rich/Alo/Grace/Franky foi formado, Franky finalmente foi aceita e – literalmente – mergulhou nesse mundo novo, pronta para uma nova vida, e todos estão felizes, se distraindo e brincando, do jeito que deve ser.