Eu não sou uma pessoa assustadora

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Lily Loveless. Uma mulher londrina de 23 anos que esconde por trás de suas feições doces e sutis um imenso talento, crítica e personalidade. Sempre bem humorada e sempre levando o trabalho a sério, Lily é, em suma, uma atriz perfeita, que consegue dar vida e emoção a qualquer personagem, não importa o quão distante seja de sua realidade.

Ela conciliou aulas de teatro com a fase escolar. Inclusive, fez um curso no Mountview Academy Of Theatre Arts. Apesar de ter adorado as aulas, pensa que não colaboraram para sua técnica de atuar, assim como nenhuma das outras aulas de teatro que fez durante esse período. Teatro foi um de seus A-Levels, que, entretanto, Lily odiava. “Eu não tenho técnica, e se eu tenho, vieram do meu A-Level em Teatro, do qual eu realmente não gostei. Era apenas pilhas de trabalhos escritos sobre peças que eu não gostava.”. Ela participou de um curta independente aos 14 anos, dirigido por um professor de teatro de um dos clubes que participava. Foi sua primeira experiência defronte às câmeras, mas ela reagiu como se fosse algo divertido que fez no fim de semana: “Eu só tinha uma fala e era uma daquelas garotas que está a fim daquele garoto, algo assim”.

Lily é uma grande fã de Cinema, especialmente, da habilidade da Sétima Arte de transportar o espectador para outra realidade. “Acho que é apenas o escapismo e a forma como você pode criar o que quiser em um filme. Eu não consigo explicar, apenas me faz feliz.” Ela nunca imaginou um futuro que não envolvesse trabalhar com cinema ou televisão. Não pensava em atuar, pois costumava a ser muito tímida. Inicialmente, queria ser diretora, e ainda quer, mas duvida da sua coragem de tentar. (C’mon, Lily, nós sabemos que você tem toda a substância e inteligência e seus filmes serão sensacionais!)

Ela sempre buscou nas Artes uma forma de expressão, e também se envolve com música. Tocou bateria por um período curto de tempo, e, atualmente, se descreve melhor como pianista. Antes de estrear Skins, Lily dançava com o Psychotic Dance Company, um grupo que se especializa em dança de rua misturada com outros estilos.

Skins foi a grande estreia de Lily na mídia britânica e internacional. Ela conseguiu as audições através de seus agentes, mas nunca pensou que realmente conseguiria o papel. Durante as audições, ficou apavorada ao perceber que teria que atuar junto com outras pessoas, que ela julgava mais experiente, sem sequer saber que a maioria era tão inexperiente quanto ela. Esse medo perdurou durante o primeiro mês das gravações: “Eu não realmente curti o primeiro mês de gravações porque foi tão assustador que não tive tempo para pensar no quão sortuda eu era já que estava tão aterrorizada. Eles cortaram e clarearam todo o meu cabelo e disseram: ‘entre na frente da câmera e atue’ e eu estava tipo ‘Ai, Meu Deus!’. Foi muito solitário no começo. Eu estava por minha conta em Bristol fazendo essa coisa estranha que era bem bizarra e surreal”. Loveless já era fã de Skins antes de fazer parte do programa. Não era uma fã religiosa (como nós rs), portanto não assistia todos os episódios, mas isso era principalmente porque não tinha muito tempo por conta do colégio. Mas ela se lembra de estar assistindo um dia e pensar “Uau, este deve ser um ótimo programa para se estar”. Ela estava em um ponto de ônibus com os amigos quando descobriu que havia conseguido o papel. Não havia contado a ninguém sobre as audições, pois não queria desapontá-los (e desapontar-se). O telefone tocou e ao atender, ela recebeu a mensagem de que precisaria estar pronta para ir para Bristol naquele momento. “Não me lembro bem do que eu fiz depois desse momento. Foi tão surreal. Eu contei aos meus amigos, e eles não conseguiam acreditar, já que eu não havia contado a ninguém. Foi a melhor sensação do mundo, embora eu não saiba descrevê-la.”

Lily se sentiu bastante pressionada por fazer parte da segunda geração de Skins, uma vez que a primeira havia feito tanto sucesso. Ela pensava que poderiam não gostar da nova turma, já que os outros atores eram tão bons. Acontece que em Skins, não há substituições. Nós, os fãs, apenas aprendemos a amar cada geração que nos veio da forma como ela é, sem comparações.

Ao ler o roteiro pela primeira vez, Loveless imaginou Naomi como uma figura baixinha e marrenta, com óculos e grau e uma grande mochila, e foi exatamente isso que ela tentou levar para as audições: Uma pessoa do tipo que não se encontra mais, do que tipo que acredita em coisas como educação. Desde o início Lily gostava da personagem e acreditava nela: “Eu senti como se vários dos outros personagens eu já tivesse visto antes, mas Naomi era uma personagem de verdade, com seus traços e falhas, era uma personagem”. E, mesmo com várias mudanças no roteiro, a afeição atriz-personagem não se modificou. Ela reconhece que Naomi é uma espécie de intelectual esnobe, e mesmo não se considerando semelhante, é uma de suas características preferidas da personagem por ser muito divertida de interpretar. “Ela é muito dura, ela é uma daquelas pessoas que sempre têm rugas nas testas e assustaria um grupo de garotos só de olhar. Acho que ela também acredita que está acima de todo o resto, inconscientemente. Ela olha pro Cook e pensa “tanto faz”. Ela pensa que está em outro nível que o resto das pessoas ao redor dela porque é mais inteligente ou possui uma maior expectativa de vida do que o resto das personagens.” Ao mesmo tempo, Loveless acredita que Naomi é uma pessoa amável, com um grande coração, que faria tudo pelas pessoas que ela ama. Mesmo com todas as características que podem ser dadas à Naomi, ela pensa que ela não é o tipo de personagem que pode ser definida, “colocada em uma caixa”. Naomi precisa ser vista com uma pessoa real, disposta a mudar de opinião e de personalidade. Lily se sente semelhante à Naomi em algumas formas, mesmo pensando que a personagem tenha muito mais “atitude” que ela. “Ela também tinha um jeito… Ela fazia, mas sem perceber, ela se achava melhor do que todos ao redor dela e eu não sou assim, porque eu acho que todo mundo é melhor que eu. Eu a achava engraçada. E eu gostaria de ser capaz de ser tão intensa quanto ela foi. Tão forte como ela foi”.

Lily não sabia do plot homossexual da série até pouco tempo antes de acontecer. “Antes de beijar a Kat, que interpreta a Emilly, eu estava muito nervosa”. Segundo o diretor, Simon Massey, a cena foi coreografada no set antes de levá-las para a floresta, para que a cena se tornasse mais natural. O que nós, obviamente, percebemos que se tornou. Lily e Kat são uma das atrizes mais talentosas, não apenas do elenco da segunda geração, e conseguiram fazer saltar da tela um romance incrivelmente profundo e substancial e nos emocionar com todas as cenas que fizeram juntas, sendo românticas, tristes, ou alegres. A fala de Massey expressa basicamente tudo que deve ser dito a respeito da cena da floresta e do talento excepcional das atrizes novatas e assustadas: “Terminamos a sequência e a equipe estava atordoada, em silêncio. Não podíamos acreditar que essas duas jovens atrizes que estavam trabalhando há apenas algumas semanas tinham feito uma sequência tão inacreditável. Lily será uma atriz fantástica. Ela tem uma qualidade: Timing para comédia, timing para drama, a velocidade de suas falas, como ela fica na câmera, o instinto para encontrar a câmera. Tudo é absolutamente perfeito. Então, com essas duas atrizes, eu sabia que seria um episódio muito forte.”.

Lily não acreditava que Naomily se tornaria o grande fenômeno que conhecemos agora. Por isso, de início, não sentiu grande responsabilidade por estar trabalhando com problemas de identidade sexual, os quais muitos jovens poderiam se identificar (como de fato aconteceu). Mas, ainda assim, desde o início estava muito contente ao se envolver com algo tão importante. “Minha mãe está muito orgulhosa de mim”.

Lily temeu uma reação negativa dos fãs em relação à ela, mas especialmente à Naomi, após o affair de sua personagem com Sophia. No 4×02, a cena do telhado demorou seis horas para ser concluída, especialmente por causa do desgaste físico e emocional implícito na cena. “Você precisa sentir isso. Tipo, quando eu estou atuando com a Kat, ela é a Emily e eu sou a Naomi, e no roteiro, sua namorada está descobrindo que ela a traiu. Essa é a coisa mais horrível que pode acontecer em um relacionamento, e eu sentia tanto que Naomi havia feito isso com ela, porque eu estava lá dizendo isso. Então eu senti toda aquela culpa e toda aquela tristeza mesmo sabendo que não era real. Mas acho que é assim que eu consigo atuar assim.”

Em uma entrevista incrível com a Dra. Cook, Lily conta sobre algumas sidelines stories que ela mesma criou sobre Naomi e Emily. Por exemplo, seu primeiro beijo. Lily acredita que não foi uma experiência nem um pouco romântica, apenas confusa: “Só um pouco como – algo que finalmente te faz pensar ‘meu primeiro beijo e foi com uma garota. Não era pra isso ter acontecido, era?’” Outro ponto, é sobre as outras experiências sexuais da Naomi, antes de Emilly. Devido a toda aquela, ahm, situação com o Cook, fica difícil acreditar que Naomi fosse virgem. Mas Lily, assim como a maioria dos fãs de Naomily, prefere acreditar que ela “meio que fez tudo com garotos, menos sexo”. “Ela gostava de se divertir, mas era moralista”, diz Lily, “Não do tipo ‘não vou transar até estar casada’ mas do tipo ‘eu não quero tanto assim, então não vou fazer, cai fora’”. No verão entre a 3° e a 4° temporada, Loveless as vê indo a parques de diversões, ficando na cama o dia todo, enfim, fazendo coisas que garotas da idade delas fazem. Quanto ao caso com Sophia, Lily acredita que, para Naomi, realmente foi apenas um caso de uma noite só. Uma forma que ela encontrou para se rebelar contra a recém-adquirida personalidade controladora da Emily. Era irritante não pode frequentar as universidades escondida e não poder falar sobre elas, pois a Ems ficaria irritada, e era irritante não poder fazer tudo que ela queria, já que sempre fora uma pessoa autossuficiente. Ficar com a Sophia teria sido a última gota, e a culpa veio logo depois. Mas já era tarde demais pra consertar as coisas. “Acho que culpa por algo assim é provavelmente bem pior do que se alguém tiver feito isso pra você, porque você partiu o seu próprio coração e você é responsável por isso, o que deve ser pior do que ter alguém machucando você, porque você não tem mais nada pra se sentir mal por isso”.

No 3×06, a cena do “oils and stuff” foi uma espécie de improvisação entre Lily e Kat. “Eu e a Kat estávamos dando boas risadas juntas. Nós éramos como duas garotinhas na escola sendo travessas, nós estávamos histéricas noventa por cento do tempo. Eu a acho hilária, ela é tão engraçada, e nós estávamos apenas deitadas no chão fazendo essa cena, e ela continuava falando, e eu continuava rindo, até o ponto em que estávamos confortáveis o suficiente com o que estávamos fazendo. Às vezes os diretores não dizem ‘corta’ eles só continuam, e você não sabe o que eles estão fazendo, porque você nunca viu isso ser feito antes, então você apenas continua. Não foi exatamente um improviso, nós apenas continuamos deitadas lá, sendo estúpidas. Até que eu peguei Simon (Massey, o diretor) com o canto do olho, sentado atrás da tela se mijando. Todo mundo na sala estava tentando não rir, todo mundo estava nos assistindo sendo imbecis”.

Lily se assustou com a quantidade de fãs que vieram até ela dizendo que Naomily fizeram com que tivessem coragem para se assumirem, mas se sentiu privilegiada. Uma vez, estava em um bar quando duas garotas vieram até ela e disseram: “Assistir a sua história fez com que nos abríssemos uma para outra e agora estamos namorando”. O feedback mais incrível que recebeu foi de uma garota em Cardiff, que costumava a ser agredida pelo namorado, e quando assistiu Naomi percebeu o quão forte podia ser e o largou. “Isso é uma coisa maravilhosa de se ouvir de outro ser humano, e foi diferente porque eu nunca havia ouvido nada como isso.” Outros feedbacks importantes foram os de pessoas dizendo que ela os inspirou a atuar, e que ela mesma é muito boa no que faz.

Ela acredita que Skins será o melhor trabalho que terá na vida, pois teve a oportunidade de trabalhar com pessoas da sua idade. “Nós saímos pra jantar com os produtores e com os diretores, e a primeira coisa que fizemos quando chegamos no hotel, foi pular na piscina de roupa íntima.” Além disso, o seriado deu-lhe uma incrível plataforma para começar sua carreira.”A quantidade de coisas que eu aprendi foi absurda”, ela comenta. Ela garante que, como podemos notar pelos tweets e etc, que todo o elenco ainda forma um grupo de amigos na vida real. Foram várias viagens, festas e momentos juntos. Falando para Skins Radio, Lily mencionou que o mais divertido no set era Luke Pasqualino e que ela ria toda vez se encontravam, ainda que suas piadas fossem ruins e não fizessem sentido.

Lily assistiu alguns episódios da terceira geração e garante que gostou. Quanto à versão americana, ela assistiu o primeiro episódio diz que foi bastante estranho assisti-lo. Especialmente, porque estava na companhia de Kaya, que se viu substituída na TV. Lily pensa que não há maneira de Skins US ser realmente um desastre, já que é produzido pelas mesmas pessoas. (“É ainda o Brian Elsley, um gênio”). A respeito das críticas que o seriado recebeu nos EUA, é mais provável que seja devido ao fato de os americanos serem bem mais rigorosos que os ingleses a respeito de certas coisas, por exemplo, a idade legal para beber nos EUA é 21 anos e para fazer sexo 18, enquanto no Reino Unido, você pode beber e transar livremente aos 16. “A conduta americana é bem mais… Você tem uma classificação etária menor se tiver muita violência em seu filme, mas no momento que houver uma pequena cena de sexo, a classificação sobe pra tipo… 18 anos, ou como quer que seja ela por lá.” Lily comenta, sabiamente.

Ao receber a famosa pergunta “Por que você acha que Skins faz tanto sucesso?”, Lily articula uma resposta levemente semelhante as que já conhecemos: “Eu não acho que há nada como isso na TV. Não há nenhum outro programa sobre adolescentes que vá tão longe quanto Skins.

(…) Acho que Skins é algo com o qual muitas pessoas podem se relacionar, porque os atores tem mais ou menos a mesma idade que seus personagens, o que é algo bem incomum. Pode ser meio exagerado, mas é o que o torna interessante.” Lily também não acredita que Skins seja uma má influência para os jovens, já que a intenção do programa não é educá-los. Apesar de algumas ações dos personagens, elas sempre têm consequências, porque assim é a vida – e Skins é vida.

Após o fim do seriado, a atriz já havia ganhado imensa notoriedade, porém nunca quis se tornar uma celebridade, e tem certo receio em ser reconhecida. “Está tudo bem quando coisas legais acontecem, como aquelas duas garotas no clube. E também é bom, quando as pessoas são legais e chegam pra conversar com você. Mas quando as pessoas estão fingindo não te ver e tirando fotos ao mesmo tempo, realmente não é legal.” Ela ainda é muito tímida a respeito de seu trabalho, e isso inclui sua família. “Eu nunca conto as pessoas quando estou nas coisas”, diz, “Tipo, meu pai vai me telefonar e dizer ‘Eu acabei de te ver em um trailer’ e eu vou ficar tipo ‘ah, é, é, eu fiz isso’”.

Naomily possui, provavelmente, a maior fanbase entre todos os plots e personagens das três gerações de Skins. Com sua doçura e honestidade, o casal conquistou o mundo todo e ganhou uma imensa fidelidade e adoração de seus fãs. Porém, muitas pessoas confundem a ficção com a realidade e não sabem separar Naomi e Emily e Lily e Kat. Há pessoas que chegam a afirmar que elas estão juntas, sempre estiveram, e enfrentaram uma linda história de amor e preconceito (e isso fora do fanfiction.net). Sinceramente, os argumentos são estúpidos baseados puramente em especulações e falsificações. O ponto de partida para esse tipo depravado de fã é o fato de Lily e Kat terem se conhecido anteriormente as filmagens de Skins, na Mountview Academy Of Theatre Arts. Ambas já comentaram o fato, dizendo que não eram amigas, apenas conhecidas que não se falavam. Apenas após as filmagens de Skins ambas se aproximaram, e inclusive moraram juntas por um ano. Mas, Deus do céu! Não se pode mais ser amiga da sua colega de trabalho que você consequentemente está trepando com ela? A agressão e invasão de privacidade por parte dos próprios fãs chegou a ser tão grande que a Lily parou com postagens de cunho pessoal em sua conta no twitter, na qual, atualmente, raramente entra. Além disso, em entrevistas juntas, Loveless e Prescott cortaram por completo as brincadeiras que faziam uma com a outra a esse respeito e diminuíram o entrosamento para evitar transtornos. Isso é absurdo. Atuação é uma profissão como qualquer outra e as atrizes merecem respeito e possuem direito à privacidade. Acontece que com quem as duas estão saindo, ou suas respectivas orientações sexuais não são da nossa conta e não deveriam estar em discussão. Aliás, esse é um assunto no qual eu odeio tocar. E eu não tocaria, se o recente material de Skins 7 não tivesse trazido comentários infelizes como os citados. Apenas espero que respeitem essa grande atriz como respeitariam qualquer outra pessoa.

Enfim.

Lily não se arrepende de não ter feito faculdade antes de começar a trabalhar (“Eu nunca quis fazer faculdade”), mesmo acreditando que isso não é bem uma escolha. Conseguir um trabalho teve mais a ver com sorte, e ela só continuou a partir daí.

Em 2010, após o fim da quarta temporada de Skins, Lily protagoniza o curta-metragem Seven PM, no qual interpreta a jovem socialite Fox, que dia após dia acorda para enfrentar sua rotina autodestrutiva. No mesmo ano, fez uma participação no drama para TV Thorne: Sleepyhead. Ainda em 2010, participa do seriado Combat Kids. Em 2011, Loveless estreia em um episódio da série Bedlam e em dois episódios da quinta temporada de The Sarah Jane Adventures.

Ainda em 2011, Lily estreou o drama Sket. Esse é um filme que me interessa muito (vocês provavelmente lerão uma resenha sobre ele em breve), pois se trata de uma gangue de garotas que decide se vingar da violência que recebiam dos garotos da região em que viviam. “Sket” é uma gíria que significa algo como “vagabunda”. “Nossa, não é uma palavra muito legal, não é?” Loveless comenta. “Eu não gosto de usar termos depreciativos assim. Minha irmã mais velha me mataria se me visse usando uma palavra como essa. É só um termo inventado para ser usado contra garotas.” Lily não encontrou dificuldades para se adaptar às gírias utilizadas pelas garotas em Sket, pois costumava a falar assim quando mais nova, por ter crescido em um ambiente semelhante. Apesar de não se identificar com sua personagem, Lily se sentiu muito atraída pelo roteiro, e, particularmente, por Hannah. “Eu nunca havia lido um roteiro tão centrado em mulheres. Os melhores papéis costumam a ser escritos para homens, e foi isso que me atraiu a princípio, e foi isso que me levou ao papel da Hannah. Todo mundo tem um lado que gostaria de apenas surtar, quebrar um carro e deixar toda a raiva sair.”

No mesmo ano, Lily interpreta Anna, a irmã gêmea de Paul em The Fades, ao lado de Joe Dempsie e Daniel Kaluuya. O seriado foi escrito por Jack Thorne, roteirista de Skins. Em uma entrevista ao Rophydoes, Jack Thorne descreveu Loveless como o Robert De Niro para seu Paul Schrader (roteirista de Taxi Driver). Lily se sente particularmente lisonjeada com a comparação. Além de trabalharem juntos em Skins e The Fades, e normalmente trocam e-mails. “Ele quer ouvir se eu gosto ou não de algo que ele escreveu, e se eu quero fazer parte disso, e quer ter meu feedback. E é meio que mas por quê você quer o meu feedback, se eu não sou ninguém e você é um roteirista maravilhoso? “ Infelizmente, o seriado não obteve uma segunda temporada, apesar de todo o sucesso (ganhou o BAFTA de melhor série drama). Assim como todos os fãs, Loveless está muito chateada.

No ano seguinte, Lily participa de um episódio de Wallander e outro do drama para TV Good Cop. No mesmo ano, faz uma participação no filme Candle to Water. Em 2013, Lily interpreta a bela e exótica Ashley em The Crash: One Day Like This, uma incrível minissérie dramática que mostra um grupo de amigos antes e depois de sofrerem um trágico acidente de carro.

Lily estará de volta para Skins 7 em primeiro de julho (!!!!!!!!!!!!) e diz que foi muito estranho voltar. “Eu meio que esqueci quem e como ela era. Ela foi minha primeira personagem, e eu estou tão distante dela agora. Então foi meio bizarro. Mas, logo no segundo dia, eu já havia a encontrado completamente de novo, e estava a amando de novo, então foi tudo bem.” Nós estamos mais que felizes por ver Lily (e Kat, Kaya, Hannah e Jack) de volta no próximo mês, e ao mesmo tempo tristes, pois essa é nossa última chance de dizer adeus à Skins. E é a última chance de Lily dizer adeus à Naomi. “Quando eu disse adeus pela primeira vez há dois anos”, ela diz, “achei que já tinha terminado. (…) Não foi tão triste, porque eu já havia feito a minha parte e me despedido da personagem, mas o sentimento foi de desfecho.”.

Lily tem se envolvido em roteiros bastante dramáticos. Ainda assim, não tem vontade de parar para um descanso e fazer uma comédia, por exemplo. “Eu gosto de roteiros que são meio sombrios”, ela diz, “Por alguma razão eu os acho ainda mais interessantes. Quando eu era criança meu filme favorito era Branca de Neve porque era meio assustador. Não sei bem o porque, eu não sou uma pessoa assustadora, mas acho coisas sombrias mais interessantes, porque é um lado da vida que nós nunca realmente vemos.”.

Em uma entrevista sensacional ao The Nerdist, que se considera uma nerd! “Harry Potter e Senhor dos Anéis são coisas de nerd?” ela manda, eu caio de amores. E ainda diz que, após fazer o teste do Chapéu no facebook, foi colocada na Grifinória (e logo depois faz piada com seus amigos que foram, tristemente, enviados para Lufa-Lufa).

Há algum tempo, Loveless alegou ser uma grande fã de música indie, e disse que suas bandas favoritas são Artic Monkeys e Red Hot Chilli Peppers. Em uma entrevista mais recente, comenta que as músicas mais tocadas em seu iPod são as do novo álbum do Jay-Z e Kanye West, e também diz que adora Frank Ocean e The Weekend.

Lily curte Vans, não é muito fã de internet, não curte usar shorts curtos e muita maquiagem (“Eu me sinto uma prostituta”). Ela tem duas tatuagens, uma em cada pé. Uma é um lírio rodeado pelos nomes de suas famílias e outra é o Coração Sagrado (símbolo religioso).

Em uma entrevista na qual as protagonistas de Sket deram a Flavour Magazine falando sobre as mulheres que mais as inspiram, Lily alega que se sente muito inspirada por Adele, por ser muito pé no chão e não se deixar hipnotizar pela fama e dinheiro, sempre se lembrando de onde veio e não se submetendo.

Lily é apaixonada pela Inglaterra. “Tenho muito orgulho em ser britânica (…) Em termos de cinema, acho que somos os mais originais.” Prefere a produção cinematográfica e televisiva britânica, pois acredita que em Hollywood há um modelo pré-preparado que precisa ser seguido e no qual o telespectador precisa se encaixar. Ela adora andar pelas ruas de Londres, onde se pode encontrar basicamente tudo. Curte procurar por roupas em brechós, onde você pode comprar coisas que ninguém mais tem. “Algumas roupas antigas fedem, mas todo mundo que eu conheço tem uma máquina de lavar, então apenas as lave. Eu não acho que eu tenha um estilo. Acho que eu apenas pego as coisas que eu gosto e as coloco juntas.” diz.

Lily sempre parece se envolver bastante com seus trabalhos e personagens, e possui um carinho especial por cada um deles. Os roteiros são bem escolhidos, acredito, por ela mesma, que afirma: “Para ser honesta, eu prefiro fazer algo que eu goste e seja meio escondido, a fazer algo popular, mas que eu ache medíocre.”

Acho que não preciso ser Sibila Trelawney para prever um grande futuro para Lily Loveless.

~ Kamilla (eternos agradecimentos à Carol, por ter me enviado tanto material, ter tido tanta paciência, carinho e solicitude <3)