Joe Dempsie: Eu sou muito mais entediante que o Chris.

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Quem não chorou, ou, no mínimo, ficou extremamente chateado com a morte do Chris não tem a menor chance de ser meu amigo. O personagem que cativou por sua doçura e hilaridade, ganhou vida nos braços de Joe Dempsie, um excelente ator que começa a ganhar renome na mídia mundial.

Joe não começou sua carreira em Skins. Em Nottingham, fez parte de um treinamento de atuação intensivo conhecido como Central Junior Television Workshop, de onde surgiu a oportunidade para seu primeiro trabalho, uma participação na série Peak Practice, em 2000. Em 2001 participou de um episódio de Doctors. Em 2002, fez uma participação no longa Heartlands, e em 2003, no longa One for the Road e no seriado Sweet Medicine. Em 2004 estreou outro episódio de Doctors, e, em 2005, um episódio de Born and Bred. No mesmo ano, Joe estreou a primeira temporada de Skins. Antes de ser chamado, ele havia acabado de manter sua seu formulário de registro para Birmingham, onde cursaria História, mas desistiu quando soube que havia conseguido o papel.

Apesar de não ter começado sua carreira em Skins, Joe garante que o seriado provocou um grande impulso em sua vida profissional: “Antes de estar em Skins, eu queria esperar pelo projeto certo aparecer. Foi uma grande plataforma.”. Mas, ao mesmo tempo que abre muitas portas, ele insiste que Skins também fecha algumas outras. Isso é pelo dilema que viveu após o fim da primeira geração, e o legado deixado por Chris. Eram-lhe oferecidos apenas papéis em comédias e sitcoms, coisas que ele não estava interessado. Então, ele teve apenas que sentar e esperar por um tempo. Esse é o grande problema com personagens marcantes: É difícil se livrar deles (“Depois de Skins, eu meio que passei dois ou três anos vivendo na sombra do seriado”.). E Joe Dempsie, assim como o Nicholas Hoult, é a prova de que o talento pode, sim, superar os dogmas impostos pela mídia (e pelos fãs), é preciso de apenas um pouquinho de paciência. Mesmo com os problemas que enfrentou pelo rótulo “Chris Miles” que lhe foi imposto logo após o show, de forma alguma se arrepende de ter feito parte do programa. “O problema com Skins não foi o programa por ele mesmo, foi a percepção das pessoas a respeito dele, que o fez adquirir uma reputação, que, na verdade, era oposta ao seu verdadeiro sentido. Era sobre um grupo de pessoas tentando passar por sua adolescência, e eu acho que várias pessoas na indústria, que não viram o programa, pensaram que era algo como Hollyoaks: After Hours e não quiseram ter nada a ver com isso.”

Joe assistiu a segunda geração por ser amigo de Jack’O’Connel, e parece não ter gostado muito. “O problema com a segunda geração é que os roteiristas sentiram que eles precisariam recorrer a todas as artimanhas para atrair mais público, e perderam um pouco o senso de realidade. Não que Skins não fosse um senso exagerado de realidade, mas talvez tenham ido longe demais.”.

Quanto a todos os adolescentes que Skins influenciou, Dempsie soa meio controverso. “Todas as vezes que as pessoas perguntavam se éramos uma má influência para os adolescentes, eu tinha uma resposta meio esperta, que a de que Skins é uma versão exagerada da realidade e eu acho que adolescentes precisam de mais créditos por saberem diferenciar a vida de um programa de TV. Mas, na realidade, eu sabia que nós influenciávamos as crianças. Se eu tivesse quatorze ou  quinze anos, e tivesse que me esconder para assistir o novo episódio, porque no outro dia todos estariam comentando sobre isso na escola, eu estaria pensando: Deus, essas são as festas que eu deveria estar indo? Essas são as drogas que eu deveria estar usando? Eu sei que nós encorajamos adolescentes a fazer coisas que eles normalmente não fariam. Skins nunca foi tão extravagante quanto dizem; adolescentes vem fazendo isso tudo há anos.”.

Após Skins, Joe entrou em uma fase complicada, pois não conseguia o tipo de trabalho que queria – mais voltado para o drama. Com a ajuda do seu agente, ele conseguiu superar o dilema e voltar à ativa. “É o tipo de coisa que você descobre com o tempo aquele período pós-Skins acabou sendo o mais valioso da minha carreira, pois foi quando eu consegui dominar o processo de audições, então agora está tudo bem.”.

Em 2008, participou do episódio The Doctor’s Daughter, em Doctor Who e no mesmo ano, fez parte de um episódio de Merlin. Apesar de seu envolvimento com seriados de fantasia, ele garante não ser um de seus estilos preferidos. Em 2009 estreou um drama sobre esportes, The Damned United, e em 2010, estreou um curta, Happy Clapper, o seriado This Is England 86 e o filme Edge. Em 2011, participou do clipe Cardinal, e estreou um filme policial, Blitz. Ainda em 2011 fez suas primeiras participações em Game of Thrones, que continuaram em 2012.

Game of Thrones é uma produção gigantesca, e a primeira do tipo da qual Joe faz parte. Depois de fazer várias audições para papéis diferentes (inicialmente Jon Snow), ele foi escalado para o papel de Gendry. Joe tem um amigo que é um grande fã de GoT, e quando ele soube para qual papel Joe havia sido escalado, a decepção foi imensa. “As características físicas do meu personagem são que ele é alto, musculoso, com o cabelo curto e escuro, e, naquela época, eu não era nada disso!” Mas o treinamento de Dempsie foi intenso (nota-se pelos músculos que cresceram absurdamente em um curto período de tempo – espero que não tenham recorrido para esteroides.). No início, Dempsie vivia paranoico, acreditando que poderia ser demitido a qualquer momento, ele diz: “Eu estava sendo paranoico, mas percebi que quase todo mundo, em suas primeiras semanas em GoT, ficava tão petrificado pelo tamanho da coisa que estavam fazendo, que realmente acreditavam que a qualquer momento apenas diriam ‘corta’ e os produtores diriam ‘Nós cometemos um erro terrível, e sentimos muito. Saia do set’. É muito normal sentir medo pelo seu trabalho em Game of Thrones.”. Ele também comenta: “Acho que o motivo por Game Of Thrones ser são popular é porque os elementos de fantasia são usados com muita moderação. Não é apenas monstros, dragões, e bruxos.”

Em 2011 interpretou o vilão John em The Fades, ao lado de Lily Loveless e Daniel Kaluuya. No mesmo ano estreou um episódio da série Moving On, e em 2012 um episódio da série Accused. Ainda em 2012, interpretou um papel importante no filme para TV Murder (“Provavelmente o trabalho mais recompensador que eu já fiz”.). Estreará ainda neste mês a terceira temporada de Game Of Thrones, na qual Joe ainda interpretará Gendry. E, ainda sem data prevista para estreia, a minissérie SouthCliffe, mas a extensão da participação de Dempsie ainda não é conhecida.

Eu não entendi o motivo, mas alguns entrevistadores perguntaram se Dempsie estaria de volta em Skins 7. Ele, muito pacientemente, respondeu que não. “Quero dizer, eu acho uma ideia brilhante finalizar a série. Acho que foi um show fantástico que criou um legado, além de dar chão para muitos novos talentos. Então, certamente, eles farão alguma coisa legal, eu sei que eles possuem coisas muito interessantes planejadas. Mas eu estou meio satisfeito por não ter que encarar o dilema de se eu gostaria de me envolver ou não. Eu sempre pensei que voltar seria uma decisão difícil.” Bastante difícil, especialmente quando o seu personagem morre antes do fim da temporada.

Quando Joe decidiu ser ator, seus pais foram bastante compreensivos, e combinaram que após prestar seus exames finais, ele poderia fazer o que quisesse. Então ele entrou em um workshop, e após alguns anos de pequenas participações, ele percebeu que era realmente bom no que fazia, e decidiu levar a carreira a sério, mesmo sabendo que não seria uma jornada fácil. “Eu queria fazer isso apenas porque tenho essa filosofia de que se vive apenas uma vez, e é melhor perder tempo fazendo algo que eu gosto, mesmo não obtendo sucesso, do que fazer algo que eu não gosto tanto assim. Então, eu esperava que fosse difícil, mas nunca tracei nenhum limite. Eu não vou me contentar fazendo apenas coisas pequenas, eu definitivamente quero ter sucesso, quero ser reconhecido pelos meus companheiros mais do que qualquer coisa, mas não tenho uma escala temporal. Essa é uma das únicas indústrias em que você pode ser amigo de alguém, atuar no mesmo nível, e então eles podem apenas voar para o topo…”. Sobre isso, Joe pensa que apenas porque você não consegue um papel, não quer dizer que você é um mau ator, você apenas não era a pessoa certa pra isso. Quando Dev Patel de repente apareceu no tapete vermelho, Joe foi acusado de sentir ciúmes do amigo, enquanto, na verdade, estava muito feliz por ele. “Eu não posso querer o que ele tem e ser bem sucedido nisso, mas isso não é uma coisa ruim. E eu estou incrivelmente feliz por ele, por que eu não estaria? Ele me inspira, ele é meu amigo. Nessa indústria, o ciúmes pode arruinar você, vai te de levar a loucura, não há sentido em ao menos se preocupar com o que outras pessoas estão fazendo profissionalmente.”.

Dempsie diz que não sabe o que estaria fazendo se não fosse ator, mas definitivamente não seria um historiador. “Eu provavelmente seria professor, mas se eu decidisse hoje que não quero mais atuar, gostaria de permanecer na indústria, é o que eu conheço, e eu sempre pensei que casting seria um trabalho interessante.

Dempsie é um ator muito centrado, e que sabe bem o que quer. Ele tem  personalidade forte, e a opinião formada sobre sua carreira. “Eu percebi que fui aquele cara ridículo do ‘adorei te conhecer’ por séculos, e então eles gostam de você, mas não o levam realmente a sério. Ser um ator é sobre ser uma pessoa que não é você mesmo. Eu ouço várias pessoas dizendo que o melhor conselho é: Seja você mesmo! Mas isso é uma besteira! Atuar não é sobre isso, é sobre não revelar nada sobre si mesmo, vá lá, se sente, e se eles perguntarem o que você pensa sobre o script diga a eles. Acho que cada um tem um método diferente de trabalhar e assim que você descobre o que funciona pra você as portas começam a se abrir.”. Mesmo já tendo trabalhado para a indústria americana, Dempsie não vê o menor sentido em se mudar para Los Angeles.

Ao ser questionado sobre o tipo de trabalho que pretende fazer, Joe diz que só sabe dizer depois de ler o script. “Na minha cabeça, eu meio que sei o que eu quero e o que quero ver. Eu apenas quero trabalhar com bons roteiristas.”. Apesar disso, ele garante que sabe o que não quer fazer, e não se arrepende em ter trabalhado em sitcoms. Joe quer dar uma nova chance à comédia, mas afirma que realmente está voltado para roteiros mais dramáticos, e que, nos últimos anos, teve a oportunidade de interpretar muitos papéis pequenos dramas britânicos, que o deram a chance de aprender bastante e trabalhar com grandes ídolos, como Michel Seen e Paddy Considine.

Mesmo dizendo que não faz ideia do que um bom ator seria, Joe parece definir isso muito bem. “Acho que se você é sempre capaz de se colocar no lugar de outra pessoa você tem o que é preciso para atuar.”

Dempsie é fã de hip-hop e seu maior ídolo é Kayne West. Ele também é fanático por futebol, e torce para o Nottingham Forest.

Eu percebi, meio que do nada, que eu nunca tinha me apresentado ou assinado minhas colunas. Então vou fazer isso agora, ainda que meio tarde. Eu sou a Kamilla e eu torno seu início de semana mais feliz desde fevereiro, quando eu entrei pra equipe. Ah, e eu gostaria de agradecer muito os comentários, as mentions e as curtidas lindas aqui e no facebook. Cya.