Dakota Blue Richards

Eu nunca deixarei vovó assistir as travessuras da Franky

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Eu preciso começar dizendo que era completamente louca pela Dakota Blue Richards quando criança. Assisti a Bússola de Ouro e surtei. Nós tínhamos praticamente a mesma idade, e tudo que eu me lembro de pensar foi “Deus, eu quero muito ser essa menina!”. Então, depois de O Segredo do Vale da Lua ela sumiu, e eu acho que também não procurei saber. E quando assisti o primeiro episódio da quinta temporada fiquei o tempo todo tentando descobrir de onde eu conhecia aquela garota andrógena maravilhosa na tela do computador. Então liguei pra uma amiga, e nós fizemos ultra investigações (porque apenas ler os créditos é para os fracos) e eu descobri que era a mesma garotinha que havia interpretado a Lyra. E ela só havia ficado mais talentosa e mais incrível, e eu queria ainda mais ser “essa garota”. Pra ser sincera, ainda me pego pensando isso de vez em quando.

Mas vamos parar de babação de ovo e ir logo ao que interessa.

Dakota completa 19 anos esse mês (mais precisamente hoje, dia 11 de abril). Cresceu em Brighton, com a mãe, a assistente social Michaela Richards. Ela sempre havia gostado de atuar, mas pensava nisso apenas como um hobby. Nunca acreditou que chegaria a fazê-lo profissionalmente.

A estreia de Richards foi como a protagonista, Lyra Belacqua, em A Bússola de Ouro, baseado no livro do mesmo nome. A Bússola de Ouro foi uma imensa produção britânica, contando com Daniel Craig (007 – Operação Skyfall), Eva Green (Sombras da Noite, Womb) e Nicole Kidman (Austrália). Dakota tinha 12 anos quando o filme foi lançado. Era uma grande fã dos livros: “Minha mãe os lia para mim quando eu tinha mais ou menos nove anos”. Uma explosão de fofura em todas as entrevistas, ela sempre dizia que estava muito assustada e ao mesmo tempo feliz por se ver nas telonas. Segundo ela, a parte mais difícil foi atuar nas telas verdes (aquelas utilizadas quando o cenário vai ser substituído por computação gráfica): “Quando menos verde a tela era, mais fácil ficava. Então, trabalhar com pessoas como Daniel Craig e Nicole Kidman foi muito mais fácil do que trabalhar com Iorek (urso polar)”. A experiência de trabalhar com uma equipe tão renomada na indústria cinematográfica também foi fantástica. Ela comentou que tinha uma cópia do livro que passou para todos assinarem e Nicole Kidman escreveu: Se mantenha verdadeira consigo mesma. A Dakota Blue de 12 anos se identificava com sua personagem por falar de mais. “Um pouco mais do que ela deveria”. As críticas ao filme foram muito miscigenadas, justamente por ser uma adaptação e haver todas as diferenças entre filme/livro. Fãs da trilogia alegam que partes importantíssimas para o desenvolvimento da história foram excluídas, tornando impossível filmar uma sequência. Eu ainda não os li, mas nota-se que talvez tenha razão, já que passei anos esperando por A Faca Sutil, que nunca foi produzido. Ainda assim, A Bússola de Ouro foi vencedor de um BAFTA e um Oscar por efeitos visuais e a atuação de Richards foi muito elogiada. Dakota se esquiva um pouco quando questionada se, como fã da trilogia, realmente gostou da adaptação, e apenas comenta que o filme conseguiu transmitir o senso de fantasia expresso nos livros. No dia das audições, Michaela recomendou que a filha não penteasse os cabelos, assim pareceria mais selvagem, como Lyra. Até hoje, Dakota atribui o seu sucesso ao conselho da mãe.

Em 2008, protagonizou o filme para TV Dustbin Baby, um drama sobre uma adolescente problemática, April, que foi abandonada em uma lixeira quando criança e adotada por Marion Bean, ex-professora de April no orfanato onde morava. É um filme cheio de flashbacks, elogiado por demonstrar o valor da família e as dificuldades do autodescobrimento.

Em 2009, Dakota protagonizou outro filme fantástico, O Segredo do Vale da Lua. Eu o assisti há muitos anos, mas me lembro de ter gostado bastante (lembrem-se, é um filme infantil). Maria (Dakota Blue Richards) fica órfã e é obrigada a se mudar para casa do mal humorado Sir Benjamin Merryweather, no Vale da Lua. Lá, ela se depara com misteriosos segredos e descobre coisas fantásticas sobre o passado de sua família. Dakota garante que ficou entusiasmadíssima ao saber que Maria era uma princesa (“No roteiro estava escrito Princesa da Lua”) e não pode não fazer as audições: “Eu apenas queria ser uma princesa”.

No mesmo ano, Dakota protagonizou um curta, Five Miles Out. No ano seguinte, participou de outro curta, Rain, que, infelizmente, nunca foi lançado.

Richards era uma grande fã de Skins: “Eu sou obcecada por Skins desde o dia em que começou e eu estava desesperada para entrar no programa”. Ela sempre pedia seu agente para conseguir uma audição, mas ela não possuía a idade suficiente. Quando completou 16 anos, finalmente pode tentar entrar para o elenco. Inicialmente, fez as audições para Liv, e na última etapa, foi repassada para Franky. Dakota diz que também gostaria de interpretar Grace: “Em partes, porque ela sempre está maravilhosa e tem as roupas mais bonitas. E eu também acho que há muita profundidade nesse personagem, que está lá, porém com muita sutileza.”. Segundo ela, a parte mais difícil foi interpretar alguém que era tão diferente dela. E cortar o cabelo (“Eu fico me lembrando de que vai crescer de novo”).

Dakota tem um carinho imenso por Franky. Sempre que tem a oportunidade a descreve como adorável, gentil e incondicionalmente generosa (características que realmente podemos perceber na quinta temporada). Ela diz: “Ela é o tipo de pessoa que eu aspiro ser, mas acho que ainda não cheguei lá. Entanto, esteticamente, não acho que haja alguma semelhança entre nós. Eu sou muito mais feminina e estou muito mais confortável comigo mesma.”. Apesar disso, Dakota acredita que seja tão criativa quanto Franky. Ela frequenta escola de Artes, e pratica Artes (além de atuar). “Eu faço arte. Eu não sou muito boa, mas eu gosto. Eu curto bastante arte moderna, abstrato, essas coisas”. Outra coisa que atriz e personagem possuem em comum e adoração a banda Crystal Castles.

Sobre a série, Dakota tem uma opinião muito semelhante à dos outros atores: “É importante o fato de as pessoas conseguirem se relacionar com o que é exposto no seriado e dizer ‘Sim, isso aconteceu comigo’. A respeito do drama, é mais hardcore do que a realidade, mas ainda assim é identificável e divertido.”

Na sexta temporada, nós assistimos um pseudodesenvolvimento (er, regressão) da Franky. E isso, obviamente, percutiu seriamente em Dakota. Ela se acreditava muito sortuda por não possuir cenas de sexo, estar muito em contato com drogas ou violência, e na s6 tudo isso mudou. Pediu, inclusive, para que sua avó não assistisse seus episódios. “Eu disse pra vovó não assistir, eu nunca quero que ela assista. Ela disse, ‘Eu não queria ver mesmo’. Ela disse que vai assistir os outros episódios – não os meus.”

Dakota acredita que a terceira geração é bem mais positiva que as anteriores, especialmente à segunda. “Eu realmente gosto disso sobre a nossa geração, acho que, não sei, tem mais esperança, sabe?”. Eu vi isso claramente na quinta temporada, mas acho que tudo se perdeu um pouco ao longo da sexta, o que é algo que me entristece extremamente, especialmente por tudo que acontece com a Franky. A “esperança” dita por Dakota pode ser identificada novamente apenas no último episódio, e, ainda sim, por demasiado melancólica.

A respeito da recém-descoberta feminilidade da Franky na s6: Dakota não encontrou uma pílula mágica para crescer peitos da noite pro dia (se isso existisse, eu já teria encontrado), ela apenas parou de usar corseletes. A Franky da s6, inclusive, a deixou muito mais confortável para interpretar a personagem, e ela fez um comentário muito interessante sobre essa mudança radical de estilo (que eu não necessariamente concordo): “Vem sendo bem legal pra mim essa temporada, porque a forma como Franky se veste e seu novo estilo representam sua abertura para tornar-se mais si própria, algo que ela não se permitiu na temporada anterior. Você consegue observar que as roupas mudam com humor dela. Por exemplo, ela se veste com mais feminilidade quando se sente amada, e se veste de forma diferente quando está em uma relação sexual de domínio.”

Ao contrário de Freya, Dakota ficou muito surpresa com todos os fãs torcendo por Minky. “Eu meio que achei que ou amariam a Mini e odiaram a Franky ou amariam a Franky e odiariam a Mini, do começo ao fim”. Ela certamente não entende nada sobre tensão sexual entre garotas. Explique pra ela, Freya. Richards também pensa que o relacionamento entre Franky e Mini não é e nunca seria sexual. Se algo mais acontecesse entre elas, seria apenas para atender fins comerciais, o que acabaria sendo um pouco triste. “Mini e Franky nunca vão apenas fazer sexo, porque não é sexual, é muito mais intenso, e eu espero que os fãs apreciem isso por não ser previsível”.

Desde o início da quinta temporada, Dakota é questionada sobre a sexualidade da Franky. E a resposta dada pela atriz, é a mesma dada pela personagem: Ela é apenas quem ela é. “Algo que sempre me disseram sobre a Franky é que ela não queira ser uma garota, mas isso não significa que ela quer ser um garoto ou que ela queira ser qualquer coisa em especial. Ela quer apenas ser – e isso é algo que as pessoas normalmente não entendem.”

Uma das coisas que Dakota mais gosta em Skins é ambiguidade deixada no final, que permite ao espectador se decidir sobre o futuro dos personagens. Ela acredita que Franky tem um grande futuro pela frente. “No fim do último episódio, Franky seguiu em frente, ela provavelmente deixou Bristol – não pra sempre, apenas por um tempo – e ela vai passar um tempo se focando nela mesma. Acho que ela provavelmente vai manter contato com os amigos, mas Franky tem tanto a sua frente. Acho que ficar por perto e ficar naquela situação e ficar sendo fisgada por todos aqueles conflitos não irá leva-la a lugar algum. Acho que um dia – quero dizer, estou falando dela como uma pessoa real – Franky vai encontrar alguém que é perfeito pra ela, mas eu não acho que vá ser fácil. Ela é uma pessoa muito complicada e eu acho que várias pessoas vão tentar usar isso contra ela.” Ainda sobre o final da terceira geração, Dakota acredita que o “grupo” percebeu que eles não seriam um grupo para sempre, e precisarão aproveitar o máximo do tempo que possuem juntos. Ela pensa que Matty e Nick sempre estarão juntos, e Mini e Alo tem potencial para construírem uma relação longa, mas o grupo não estará unido para sempre. “Esse é o início do fim para o grupo”.

Os roteiristas aproveitaram alguns aspectos da personalidade da Dakota para modelar Franky, como o fato de ser tão dona de si mesma. Sobre todos os problemas vividos por sua personagem na s6, Richards demonstra ser uma pessoa muito centrada, equilibrada e com muito bom senso. “Os problemas são muito poderosos e obscuros, mas, ainda assim, reais” ela comenta “Espero que a mensagem que isso passe é que não importa o que aconteça, se você mantiver controle sob si mesmo, e olhar pelas pessoas que olham por você, pelos seus melhores interesses, ao invés daqueles que tentam te manipular, você pode enfrentar qualquer coisa.”.

Ela conciliou as gravações da sexta temporada com suas provas finais. Ao contrário do que muitos esperavam, suas especializações foram psicologia, filosofia e política.

Entre fevereiro e março foi ao ar o seriado Lightfield – continuação de Marchlands, na BBC. Totalizando cinco episódios, conta a história de três famílias diferentes que viveram em uma fazenda em períodos distintos. Richards interpreta Eve, uma deslocada de guerra que veio de Londres para ajudar na fazenda.

Ainda esse ano estreará o drama The Fold, no qual Dakota terá uma grande participação. Ainda não há trailers, mas existe um teaser-website, onde lançarão mais informações: http://www.followthefold.com/

Dakota é uma grande fã da mãe (“Minha mãe é brilhante, ela é a melhor pessoa do mundo, e me mantém firme”) e da atriz Eva Green, com quem contracenou em A Bússola de Ouro.

Ela apoia Action For Children, uma associação de caridade britânica, que visa ajudar crianças negligenciadas e vulneráveis, vítimas de injustiças e desigualdade social. Em 2011, ela posou nua (opa, mas com um animal marinho ~tampando o necessário) para a campanha Ocean 2012, contra a pesca excessiva. A campanha também contou a participação de Lily Loveless.

Além de Crystal Castles, Dakota curte James Blake e Half Sisters, uma banda folk de duas amigas suas, e gosta de ir a cafés e lugares calmos.

Richards soa como uma garota bastante séria e focada profissionalmente, e garante que sua vida pessoal não se parece nenhum pouco com Skins. “Acho que amadureci bem cedo, mas isso não significa que eu não tenha momentos de completa imaturidade. Quando eu chego em casa, eu não quero ser uma atriz, quero ser uma criança. Eu mal sei o que dinheiro é. Eu só fico tipo ‘Mãe, eu vou sair, você pode me dar dinheiro pra comprar comida?’”

~Kamilla