Na coluna de hoje nós te mostramos um relato anônimo emocionante (prepare os lenços!!!!) sobre como Skins pode mudar sua vida, além de contarmos com Kaíque Campos e seu texto “E se sua vida fosse um episódio de Skins”?

Antes de começar esse texto, preciso que você se imagine em minha situação: Eu era uma criança, não tinha habilidades em educação física, não me relacionava bem com os valentıes da escola e gostava de uma menina. Isso não é dificil de ser imaginado. Chega ser tão clichê que por essa frase, me vi em algum filme de algum canal aberto. Mas apesar de clichê, eu era uma criança e acreditava que aqueles problemas aconteciam só comigo.

A minha vida se resumia a criar coisas. Nada nunca foi bom o suficiente pra mim, eu assistia um filme e imaginava um final melhor, via um personagem e queria acrescentar algo nele. Então, quando percebi, eu estava na quarta-série desenhando tudo que eu nunca poderia ser. Por vezes eu era um herói, ou reconhecido por algo grande, sempre algo que não se assemelhava em nada na minha vida. Mas aquilo mudou.

Me lembro que um desses grandes desenhos onde eu carregava uma espada, ficou caído no chão, o que foi bastante pra que a professora o pegasse. No outro dia ela conversou comigo e me disse que um dia eu seria totalmente reconhecido por aquilo e que eu tinha uma boa coordenação pela idade que tinha. Eu me senti bem pela primeira vez na minha vida.

Eu era como um trem, quando mais trilhos me davam, mais velocidade eu alcançava. E aquilo me fez rabiscar várias folhas de papeis. Todos os meus novos amigos queriam que eu os desenhasse sendo quem eles também gostariam de ser.

Mas um deles não queria. Pelo contrário. Enquanto eu desenhava, ele fazia contas de matemática que só pessoas adultas conseguiriam. A minha atenção foi tomada de um dia pro outro e tudo que se falava era nele.

Eu não fiquei chateado, nem com inveja. Não senti que tivessem tomado algo de mim, só me contentei de que talvez eu não seria bom o bastante, ou que eu já tinha feito tudo que poderia fazer pra ser reconhecido. E larguei meu lapis pela primeira vez. Um dia, depois de vários, aquele garoto veio até mim. “Você não desenha mais?” – ele perguntou. “Não, eu parei com isso”. ” E porquê? Eram realmente bons”. “Eu não sei desenhar.” “O que você não sabe desenhar?” “O chão, a grama.” Aquilo era uma metáfora, mesmo que eu não soubesse o que significava. Eu queria dizer a ele, que não conhecia direito o terreno que eu pisava. Que queria sair voando e ficar longe da realidade. Então ele pegou meu lápis e fez alguns rabiscos. “A grama não é o importante, o que importa é o que está acima dela.” E me ensinou a desenhar a grama.

Os anos se passaram, e eu mudei de colégio. Nunca mais o vi. Nunca mais desenhei. Eu tinha uns dez anos de idade, mas tinha a absoluta certeza de que eu nunca seria um “desenhista” e que coisas comuns como fazer contas era algo mais garantido depois da escola.

O que poderia ter me transformado no que eu sou hoje, morreu. E só viria a voltar depois.

Eu tinha dezesseis anos. Era viciado em música, filmes, desenhos, nada havia mudado, mas eu não os mostrava pra ninguém. O “Peter”, ou seja, a minha versão heróica nunca tinha morrido, eu o evoluía SEMPRE, mas nunca o mostrava à ninguém.

Só sabiam que eu existia pelo fato de que meu nome estava na lista de chamada. Eu era invisível.

Eu comecei a observar todas as pessoas vivendo e comecei a julgá-las. “Como ele pode terminar da namorada por outra?” “Deus, o que ele fez com o cabelo?” “Essa menina já está grávida?”. Eu sempre acreditava que aprenderia com o erro dos outros e jamais faria tudo como eles. Mas no fundo, minha vontade era viver. Ter todos aqueles erros e ser mais confiante nas coisas em que eu era bom. Eu NUNCA culpava aquele amigo da quarta-série por nada, mas me culpava por ter desistido de ser reconhecido por uma coisa que eu sempre gostei.

Um dia eu conheci uma garota. Ela era completamente daquelas que vivem e não querem se preocupar com o depois. Acho que ela tinha tudo, mas não tinha com quem desabafar pelo fato de que todos os seus problemas estavam envolvidos com seus melhores amigos. Foi num desses dias que ela perguntou se eu poderia a ajudar a arrumar seu computador. De vergonha de ligar pra tantos técnicos, minha habilidade em formatar computadores era considerável ( e na época era mais complicado que colocar um dvd ). Depois daquele dia, nós viramos melhores amigos. E então ela começou a me apresentar os amigos dela, mas sempre cuidadosa em me colocar em um mundo onde eu pertencia. E pela irônia do destino, eu “re-”conheci aquele amigo da quarta série.

Ele era confiante, bom com todos, popular. Tinha a vida que eu sempre quis. Ele se tornou um modelo pra mim. O problema é que colocar alguém em um pedestal é algo perigoso como olhar no espelho várias vezes, você sempre vai ver um detalhe em seu rosto de que você não gosta.

Eu via várias contradições. Ele tratava alguém bem, mas por trás da pessoa era outro. Mas no fim, ele conseguia algo que ele queria, algo que só aquela pessoa enganada conseguia. Eu devia entender como ele era com os outros, pra entender o que ele era comigo, mas acreditava que ele era meu melhor amigo.

E então aconteceu algo mais clichê. Ele havia traído a namorada. E eu a tentei ajudar a superar. Bom, eu nunca tinha a olhado de outra forma e nunca entendi direito o que eu sentia pelos outros, mas tudo que eu queria era protegê-la e não perder ela. Não queria que ela sumisse da minha vida pelo fato de ser ex do meu melhor amigo. Por carência minha e dela, começamos a mudar aquela amizade e tudo começava a desmoronar.

Foi então que eu percebi que meu melhor amigo não sabia perder novamente. Ele tinha que estar no topo de tudo. Tudo era dele, nada era meu. Ele me disse que eu poderia ficar com ela. No mesmo dia eu e ela conversamos e então ele chegou e me disse pra ir embora. ( Alguém se lembra da cena Tony x Michelle x Sid ? … ). Eu fui embora. E comecei a achar que eu não era nada perto dele. Decidi que relacionamentos não eram pra mim e o que eu tinha de bom, aquela coisa de tentar proteger as pessoas eram nada.

Conheci Skins nessa época e chorava de DOR toda vez que assistia as cenas em que o Sid era manipulado. O chamava de idiota e torcia pra que ele mostrasse quem ele era. Queria que ele fosse importante, que ele resgatasse tudo que os outros tiraram dele. Queria que fosse confiante, que fosse melhor que o Tony. No fim de um episódio que eu terminei com os olhos cheios de lágrimas, eu me toquei. Eu era o Sid.

Aquele bloco de folha sulfite rabiscado, onde eu era um herói, ou um desenhista de sucesso, amassado e jogado no lixo da quarta série veio na minha cabeça. E eu acordei.

Eu acordei e percebi que o culpado não era o “Tony” era eu. Eu não era confiante o bastante pra continuar alimentando o que eu tinha de bom. Eu chorei por alguns dias seguidos. Entrava pro quarto, chorava e saia sorrindo. Me distraia com vários seriados, desenhando e indo pra faculdade.

Sim, eu estava fazendo faculdade de design. O mais próximo de um desenhista. Talvez eu nunca tivesse desistido daqueles sonhos de criança, mas eu confesso que estava indo pra faculdade por precisar de fazer algo, mas nunca agarrei nada como se fosse uma oportunidade.

E então eu terminei a primeira geração de Skins. E por incrível que pareça eu comecei a mudar igualmente o Sid. Não estava obssecado por uma “Michelle” mas cuidava da mesma como se fosse minha irmã e por outro lado conheci várias “Cassies”. Eu mudei tudo. Minha escrita, meu cabelo, minhas roupas. Aquela pessoa que eu matei quando criança estava de volta.

Logicamente o mundo é selvagem e no fim, cada um foi pro seu canto. Algumas vezes encontro o “Tony” que continua na mesma vida de sempre. Manipulando quem precisa pra continuar tendo atenção. Tenho contato eterno com a “Michelle”, que é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Uma irmã. E segui minha vida. Sendo confiante e conquistando tudo que eu quero. O meu lado bom nunca foi totalmente recuperado. Eu sempre tento afastar as pessoas com medo de ser trocado por algo melhor, mas atualmente estou feliz entendendo que sempre alguém vai te olhar e conseguir entender tudo que você é, sem que você precise explicar. Os meus desenhos evoluíram e eu nunca cheguei a lançar uma história completa do “Peter”, mas todo dia 8 de Abril eu canto “parabéns pra você” antes de dormir ( ele tem 13 anos hoje em dia ). Um dia eu poderei resgatar aquela cena da minha professora na quarta série e poder dizer: “Eu consegui”. Até lá eu me contento em saber que eu cresci o suficiente pra entender que ninguém possa dizer que eu sou invisível ou não, eu sei que não sou.

skins-cassie

Sua temporada teria uma boa audiência?
por Kaíque Campos

Quem nunca quis viver em um episódio de Skins? Como não querer estar namorando com a lovely Cassie, ser amigo do Rich, e ir a uma festa com a Mini de um lado e a Effy do outro? Ou sair na sexta com o Maxxie, com a Franky e com o Cook e voltar apenas no domingo? Ou ser um integrante da banda do Alo? Como não querer parar aquele carro e tirar a pequena Grace lá de dentro, antes que o pior acontecesse?

É difícil contar quantas vezes eu não quis presenciar todos esses momentos. Mas, se pararmos para pensar, em nossa vida passamos  por muitos acontecimentos (de longe) parecidos com alguns vistos na série. Eu mesmo, tive uma amiga que sofria de transtornos
alimentares, e foi difícil passar por isso, era difícil ter uma amiga com “problemas” e não saber ao certo o que fazer, mas a série além de ajudá-la, me ajudou também, em saber como conviver com alguém assim, e hoje em dia, ela está bem.

Skins não está assim tão longe de nossas vidas. Vivemos rodeados de pessoas com problemas.

Nós mesmos vivemos cheios de problemas.

Acho que viver um episódio de Skins é a obsessão de pelo menos 90% dos fãs da série. Mas imagine toda a dor que eles sentem. Imagine como seria passar por tudo isso. Conviver com uma amiga que começa a ter surtos suicidas. Ou perder um amigo muito querido (Como não chorar com a morte do Chris?). “Não só de drogas e sexo vivem os personagens de Skins.” E o sofrimento do Tony após o acidente? E os sentimentos da Emily, quando Naomi em um dia fica com ela, e no outro dia nem olha na cara? E tudo que Franky passou em Oxford? E o que dizer do Alex, que teve que conviver com pessoas quais mal queriam sua presença?

Nada é tão simples assim. Portanto, Skins pode não ser assim tão ficção, e você pode sim estar vivendo um episódio. O que vale mesmo, é que no final, amigos sempre permanecem juntos, passando por tudo, passando por cima de todos os problemas, encarando o futuro e vivendo o presente intensamente, pois logo, será apenas passado. Essa é a principal lição de Skins, viver a vida intensamente, fazer o que quer, pois a qualquer momento você pode morrer e não terá mais como fazer nada. Além, de nos ensinar como lidar com várias situações.

Quem é que nunca aprendeu nada com Skins?

Tenho certeza que Skins nunca sairá da vida de uma boa parte dos fãs, e sempre terá algo, em algum lugar que vai nos lembrar de alguma cena, de algum momento, de algum personagem.

Mas a pergunta é: se você tivesse um episódio só sobre você, quais seriam os personagens que nele estariam? E se você tivesse algum problema a ser tratado na série, qual seria ele?

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